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Eleições em Espanha. O debate do “ajuste de contas”

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Líder dos socialistas, Pedro Sánchez (esq.) e atual primeiro-ministro de Espanha, Mariano Rajoy (dir.)

JUAN MEDINA/REUTERS

Jornais espanhóis desta terça-feira são unânimes em realçar a crispação entre Mariano Rajoy e Pedro Sánchez, protagonistas do último debate do bipartidarismo espanhol

A seis dias das eleições, Espanha assistiu a um frente a frente de alta tensão entre os dois principais candidatos às eleições do próximo domingo. Foi assim que a imprensa espanhola olhou para o debate televisivo de segunda-feira em que as acusações de corrupção e a falta de novas propostas dominaram a noite.

Nas quase duas horas de duelo entre o atual primeiro-ministro, Mariano Rajoy, e o seu principal opositor, Pedro Sánchez, houve “ajustes de contas” e ataques pessoais. O socialista acusou o chefe do Governo espanhol de ser “indecente” enquanto Rajoy apelidou Sánchez de “ruim e mesquinho” pelo “desespero” que demonstra a poucos dias das eleições.

Nem o líder espanhol, nem Pedro Sánchez usaram o debate para lançar novas propostas, apenas recordaram algumas que tinham já anunciado durante a campanha eleitoral. O confronto, por vezes muito duro, passou ao lado da polémica questão sobre a independência da Catalunha.

“Ganhou Rajoy”, afirma Iván Redondo, colunista de política no diário “El Mundo”, “porque saiu vivo do debate, tal como tem vindo a acontecer durante os 15 dias de campanha”.

Para Sánchez, diz o politólogo, “mais do que um debate estava em jogo a sua liderança e a segunda posição”. Mas o líder do PSOE “perdeu na economia, na política externa, na Catalunha e conseguiu um empate nas políticas sociais”, afiançou o cronista.

Em contrapartida, 48% dos leitores do diário “El País” que participaram num inquérito para aferir quem esteve melhor no debate consideram que foi Sánchez quem saiu a ganhar, contra 46,23% que reconheceram melhor prestação ao atual primeiro-ministro e candidato do Partido Popular (PP). Noutro inquérito realizado no Twitter, o líder do PSOE conseguiu três vezes mais menções favoráveis do que Rajoy.

O jornal “El Periódico” também perguntou aos seus leitores quem venceu o debate eleitoral e, uma vez mais, Pedro Sánchez toma a dianteira, deixando Mariano Rajoy a meio caminho: 66% contra 34% dos votos. Já o diário “La Vanguardia” inverte a tendência, com Rajoy a receber a confiança de 58% dos que responderam à mesma pergunta. Sánchez consegue apenas 35% dos votos.

Sánchez aguerrido, Rajoy contido

A imprensa espanhol parece coincidir num ponto. Este foi um debate duro, onde Pedro Sánchez “manteve um tom muito agressivo contra Mariano Rajoy”. Esgrimiu, logo na primeira intervenção, o trunfo dos famosos SMS trocados entre Rajoy e Luis Bárcenas, antigo tesoureiro do PP envolvido num escândalo de corrupção (que ficou conhecido por caso Bárcenas).

Segundo o diário “El Mundo”, Sánchez surpreendeu o líder do Governo, que não esperava um confronto tão aceso. Rajoy “não estava nem nervoso, nem desarmado, simplesmente era incapaz de avançar, não conseguia fazer passar a sua mensagem para convencer os quase quatro milhões de antigos votantes do PP que hesitam em voltar a apoiá-lo”.

O diretor do jornal “El Periódico”, Enric Hernàndez, escreve que este debate televisivo “era uma aposta de risco” e que “se o objetivo era lançar um salva-vidas aos dois partidos sistémicos, o fracasso da escaramuça não poderia ter sido mais contundente”.

O candidato Pedro Sánchez, que tinha perdido terreno para Pablo Iglesias no debate a quatro de dia 8 de dezembro - onde Rajoy não esteve presente - recuperou território no desta segunda-feira. “Isto mesmo revelavam os primeiros planos mostrados pelo realizador do incessante baile de pernas de Rajoy debaixo da mesa”, concluiu Hernàndez.