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Internacional

Dois anos de guerra no Sudão do Sul

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Mais de 15 mil pessoas fugiram das suas casas no Sudão do Sul

James Akena / Reuters

Mais de dois milhões de refugiados, quatro milhões de pessoas com fome e 15 a 16 mil crianças a combater no conflito. Estes são só alguns dos números que explicam a dimensão da guerra no Sudão do Sul

A 15 de dezembro de 2013 eclodia a guerra no Sudão do Sul, o mais novo país do mundo, depois de o Presidente Salva Kiir acusar o seu antigo vice-presidente, Riek Machar, de planear um golpe de Estado. Esta terça-feira, o conflito ainda sem fim à vista cumpre dois anos.

Desde o início da guerra, quatro milhões de pessoas deixaram de ter acesso a alimentos e ambos os lados do conflito quebraram sucessivas tréguas, a última das quais em agosto passado.

De acordo com as Nações Unidas, as fações em confronto terão cometido atrocidades, violações em grupo e homicídios por vingança. O ex-coordenador humanitário das Nações Unidas no Sudão do Sul, Toby Lanzer, denunciou antes de ser expulso do país pelas autoridades que cerca de 250 mil crianças “correm risco de morrer de fome”.

Campos de refugiados sem condições básicas

Dois anos após o início do conflito, milhares de pessoas encontram-se em campos de refugiados das Nações Unidas por todo o país, mas as necessidades básicas de muitos destes cidadãos continuam a não ser satisfeitas.

Segundo Austin Ombija, que colabora com a Organização Internacional para as Migrações, há vários problemas nestes campos, relacionados com as condições em que vivem estes refugiados: “Temos de lidar com uma quantidade de pessoas muito maior do que a que estamos preparados para receber. Isso causa problemas em termos de provisões, de colaboradores e de espaço”, avisa, citado pela Al Jazeera.

Informações disponibilizadas pelo Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados que a guerra no Sudão do Sul já provocou mais de 2,2 milhões de deslocados, entre pessoas que tiveram de sair das suas casas para se instalarem noutras partes do país e as que fugiram para países vizinhos.

Crianças recrutadas como soldados

A Human Rights Watch lançou, entretanto, um relatório em que revela que muitas crianças são usadas como soldados na guerra civil do Sudão do Sul. O documento denuncia mais de 15 comandantes e oficiais, tanto do Governo como da fação liderada pelo ex-vice-presidente, que recrutam crianças para combater no conflito.

A UNICEF estima que um total de 15 a 16 mil crianças tenham sido recrutadas para combater, desde o início da guerra.

O Sudão do Sul separou-se do Sudão para se tornar um país independente em 2011. O processo, que já estava previsto num acordo de paz datado de 2005, culminou num referendo, com 98,83% dos eleitores a aprovarem a separação dos países.