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China e Egito são os países com mais jornalistas presos

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Manifestação contra a violência sobre jornalistas em Hong Kong

Siu Chiu / Reuters

A China é o país com o maior número de jornalistas presos enquanto o Egito e a Turquia estão a prender cada vez mais profissionais, segundo o último relatório do Comité de Proteção de Jornalistas

O último relatatório do Comité de Proteção de Jornalistas (CPJ), uma organização não-governamental que denuncia as restrições à liberdade de imprensa, com sede em Nova Iorque, dá conta de um decréscimo no número total de jornalistas presos em 2015, que passa dos 221 para os 199, mas alerta para a banalização da prática em países onde estava a deixar de ser a norma.

A China ocupa o primeiro lugar da lista com 49 jornalistas presos, um quarto do número total. O abrandamento da economia colocou este tema sob especial atenção do Governo já que notícias danosas podem ferir a confiança dos investidores. Wang Xiaolu, repórter para a revista “Caijing”, foi preso por “tentar espalhar informação falsa sobre o mercado” depois de Wang ter escrito que algumas empresas estavam a estudar formas de retirar os seus ativos da bolsa.

O Egito é o detrator que se segue, sendo o país onde a situação mais se deteriorou no último ano. Isto porque, segundo a análise do CPJ, o Presidente Abdel Fattah el-Sisi continua a utilizar a segurança nacional como motivo para amordaçar vozes dissidentes.

Há agora 23 jornalistas presos no Egito, uma subida acentuada em relação ao ano passado (12) e principalmente se compararmos os números com os de 2012, quando o Egito não tinha um único jornalista preso. Um dos casos mais mediáticos é o de Ismail Alexandrari que escreve maioritariamente sobre os conflitos na Península do Sinai e que foi preso quando regressava da Alemanha.

As condições de trabalho também se agaravaram na Turquia, com 14 jornalistas presos - o dobro do número registado em 2014. Durante dois anos a Turquia encabeçou esta lista e em 2014 acabou por consentir a libertação de dezenas de profissionais, mas o involvimento do país na guerra civil da Síria e duas eleições gerais no mesmo número de anos espoletaram uma nova onda de prisões fazendo da Turquia o quinto país com mais jornalistas presos.

Igualmente preocupante é a situação no Irão, que mantém 19 jornalistas presos - ainda assim menos do que os 30 em 2014. A maioria, segundo se pode ler nos testemunhos individuais disponibilizados pela página do CPJ, foram presos por crimes de insulto à autoridade, espionagem e lesa-pátria. Muitos revelam episódios de tortura e isolamento como aliás se verifica também em Marrocos e na Eritreia, país que mantém 17 jornalistas presos e sobre os quais disponibilizou pouquissima informação.