Siga-nos

Perfil

Expresso

Internacional

A América está a debater se acaba de abrir um precedente grave

  • 333

PAUL BUCK/EPA

Uma ameaça de bomba feita por um alegado jiadista resultou na evacuação de 900 escolas e na retirada de 700 mil alunos em Los Angeles, nos EUA. O homem que tomou a decisão de fechar as escolas defende-se, o FBI teme que se tenha aberto “mau precedente”

Ricardo Lourenço, correspondente nos Estados Unidos, e Mafalda Ganhão

“A decisão de encerrar as escolas foi minha. Atendendo aos acontecimentos recentes, não podia correr riscos.” Na conferência de imprensa convocada para fazer o ponto de situação em relação à ameaça que esta terça-feira levou ao encerramento de mais de 900 escolas em Los Angeles e à retirada de 700 mil alunos, o responsável do sistema escolar de Los Angeles, Ramon Cortines, assumiu a total responsabilidade pela medida adotada , deixando implícito o peso que as mortes recentes em San Bernardino, Califórnia, tiveram na decisão. Cortines considerou estar-se perante uma “ameaça rara”, que justifica o encerramento dos estabelecimentos de ensino “por precaução”.

Quanto ao que está em causa, o mayor de Los Angeles disse acreditar “que não há uma ameaça credível”. Mas Eric Garcetti entendeu a decisão tomada e prometeu que as autoridades “vão continuar a zelar pelo interesse das crianças”.

Em defesa de Ramon Cortines, também o chefe da polícia de LA, Charlie Beck, considerou que “é muito fácil criticar uma decisão quando não temos qualquer responsabilidade”.

A ameaça recebida por email foi considerada pouco credível tanto pelo FBI como pelo departamento policial de Los Angeles (LAPD), razão pela qual um um agente da unidade de contraterrorismo do FBI disse ao Expresso que a opção pelo encerramento “pode criar um mau precedente”, dada a frequência com que as escolas são ameaçadas

Mas são muitos os que apoiam o superintendente Ramon Cortines. Entre eles está ainda o congressista do distrito eleitoral, Brad Sherman, que também recebeu um email contendo a ameaça. De acordo com o que adiantou ao Expresso o vice-chefe do seu gabinete, Ben Fishel, o autor dizia ser um jiadista islâmico, afirmando que “32 cúmplices espalhariam o terror, com explosivos e armas biológicas”.

O congressista terá achado “esquisito” o facto de a mensagem conter algumas falhas em relação ao conhecimento da religião islâmica, nomeadamente por conter uma referência a Alá “escrito com letra minúscula”, mas o teor do texto ter-lhe-á parecido forte o suficiente para justificar que a ameça fosse levada a sério.