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Marine le Pen triplica número de deputados regionais e arranca para presidenciais

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YVES HERMAN/REUTERS

Frente Nacional perdeu a segunda volta das eleições regionais mas bateu recorde de número de votos e enraizou-se nas regiões com 358 deputados nos “Conselhos Regionais”, o triplo dos que tinha até agora. E Marine le Pen arranca para as presidenciais

As três desistências socialistas a favor da direita e a forte mobilização do eleitorado na segunda volta deste domingo (mais nove pontos do que na primeira volta) foram fatais para os nacionalistas de Marine le Pen.

A FN não conseguiu conquistar nem uma das regiões onde estava em boa posição desde a primeira volta de há oito dias – em duas delas tinha alcançado no passado dia seis mais de 40 por cento dos votos.

Mas, na segunda volta, a FN aumentou a votação, atingindo cerca de 6,5 milhões de votos, um recorde para o partido. Apesar de ter perdido, Marine le Pen, enraizou-se nas regiões com 358 “conselheiros” eleitos para os parlamentos regionais (onde assentam 1750 deputados a nível nacional). A FN tem agora o triplo dos “conselheiros” que tinha até agora.

Esta implantação regional vai ser importante para a campanha para as presidenciais marcadas para a primavera de 2017, para a qual Marine le Pen arranca de novo à frente nas sondagens para a primeira volta,

No fim das regionais ninguém realmente pode cantar vitória. Os Republicanos (LR), de Nicolas Sarkozy, conquistaram sete regiões, entre elas a de Paris que, com 12 milhões de habitantes, é a mais importante de França. A vitória da lista sarkozysta na região da capital é simbólica porque o Conselho Regional era dominado pelos socialistas desde há vários mandatos.

Mas os Republicanos só ganharam em três regiões (norte, sudeste e leste) porque o PS decidiu desistir na corrida da segunda volta e apelou ao voto nos candidatos desse partido de direita. Se o PS tivesse concorrido, a FN teria certamente vencido em pelo menos duas dessas três regiões.

Os socialistas, pelo seu lado, salvaram a face ao conquistarem cinco regiões devido ao bom funcionamento do voto útil, na segunda volta, dos comunistas e dos ecologistas. Mas na realidade o PS, que na primeira volta alcançou apenas 23 por cento dos votos e ficou em terceiro lugar, é um dos perdedores deste escrutínio.

O eleitorado francês está hoje claramente à direita, e esta constatação tem de ter sida em conta para as presidenciais. As sondagens dão Marine le Pen claramente à frente nas intenções de voto para a primeira volta da corrida ao Eliseu, na qual poderá alcançar uma votação espantosa – certamente à volta de 30 por cento dos votos.

Além disso, a forte votação alcançada pela FN nas regionais vai provocar grandes convulsões nos partidos tradicionais. No PS e no LR a contestação às lideranças está a subir de tom e Marine le Pen pode beneficiar com essa situação porque ela continua de facto no centro da vida política francesa.

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