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Internacional

Antigo soldado de Pinochet telefona para a rádio e conta como executava opositores

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Confissão reabre o debate sobre os crimes do antigo aliado dos EUA e de Margaret Thatcher

Luís M. Faria

Jornalista

Um chileno que se apresentou como ‘Alberto’ telefonou para um programa radiofónico de histórias de coração e começou a fazer confissões íntimas, antes de passar para um assunto inteiramente diferente: os crimes que terá cometido durante o golpe de estado do general Augusto Pinochet, em 1973. ‘Alberto’ era na altura soldado, a cumprir o serviço militar obrigatório. Diz que os seus chefes o obrigaram a participar na execução de pelo menos 18 pessoas.

“Levávamo-los para o campo e dávamos-lhes um tiro na cabeça”, contou. Ao início ter-lhe-á custado. “Da primeira vez chorei, mas o tenente dizia ‘bom soldado, bom soldado, soldado corajoso’ e depois ‘pow, pow’ outra vez”. Da segunda vez gostei. Deu-me prazer.” Após serem mortos, prosseguiu ‘Alberto’, os corpos eram rebentados com dinamite. Isso ajudará a explicar porque muitas das estimadas três mil vítimas mortais de Pinochet continuam por encontrar.

A chamada para o programa durou cerca de 20 minutos e o apresentador tentou várias vezes questionar o ouvinte sobre um eventual sentimento de culpa. Embora ele se tivesse apresentado com um nome falso, não demorou a descobrir de quem se tratava: Guillermo Reyes Rammsy, um taxista de Valparaíso, atualmente com 62 anos. A polícia foi a sua casa buscá-lo para o interrogar e consta terão já sido identificadas pelo menos duas das suas vítimas, ambos militantes socialistas. Rammsy, que contava num blogue aquilo que relatou no ar, deverá ser levado rapidamente para a capital, Santiago. Caberá ao ministro especial para causas de direitos humanos, Mario Carroza, decidir as ações imediatas a tomar.