Siga-nos

Perfil

Expresso

Internacional

A uma semana das eleições espanholas, a dança das cadeiras continua

  • 333

As eleições legislativas do país vizinho estão marcadas para dia 20 de dezembro, mas tudo continua em aberto

ANDREA COMAS

O PP lidera mas já não sobe; o PSOE segue-o mas por pouco; os Cidadãos descem e estão quase empatados com o Podemos. É este o cenário de uma Espanha indecisa a menos de uma semana de ir às urnas

“Tudo é possível”. É assim que o diário espanhol “El País” apresenta esta segunda-feira os resultados de mais uma sondagem sobre as intenções de voto para as próximas eleições legislativas do país vizinho, marcadas para 20 de dezembro. Isto porque, a menos de uma semana de os eleitores irem às urnas, a dança das cadeiras continua entre os quatro principais partidos (PP, PSOE, Cidadãos e Podemos - por esta ordem, mas por distâncias que variam a cada estudo).

Nas sondagens publicadas esta segunda-feira por dois dos principais títulos espanhóis — “El País” e “El Mundo” —, as grandes tendências são as mesmas: o PP do primeiro-ministro Mariano Rajoy mantém-se à frente mas não cresce; os socialistas do PSOE seguem em 2-º lugar mas só graças à queda dos Cidadãos, que registam uma perda nas intenções de voto; e o fenómeno Podemos recupera, ameçando o regresso à 3ª posição nas sondagens.

Vamos a números. Na sondagem realizada pela Sigma Dos para o “El Mundo”, o PP segue à frente com 27,2%, o PSOE reúne 20,3% das intenções de voto (um “leve alívio” para os socialistas, recorda o matutino), os Cidadãos reúnem a preferência de 19,6% dos eleitores (com uma significativa perda de 3,4%) e o Podemos sobe dos 16,2% da semana passada para 18,4%. Esta subida, que pode levar a força política à posição de terceira mais votada, tem sido atribuída ao desempenho do líder do Podemos, Pablo Iglesias, não só nos debates televisivos como pelo seu discurso focado na ideia de “remontada” (em português, reviravolta), que tem sido o slogan da campanha.

O puzzle dos acordos

O mesmo diário revela ainda que quando questionados sobre os possíveis acordos que podem resultar desta fragmentação das preferências partidárias, os eleitores também estão divididos: 27,7% acreditam num Governo de direita, composto por elementos do PP e dos Cidadãos, mas 27% pensam que PSOE e Podemos se vão aliar para formar um Executivo de esquerda (uma opção vista com melhores olhos pelos simpatizantes do Podemos — 72,4% concordam com esta decisão — do que pelo eleitorado que vota no PSOE, no qual só 37,7% querem ver Sánchez e Iglesias juntos no poder).

Para confundir mais as ideias, a sondagem em causa revela uma nova divisão entre os eleitores que preferem uma solução de Governo entre PP e Cidadãos (38%) e os que, confrontados com apenas estas duas alternativas, gostariam mais de ver no poder uma aliança tripla entre PSOE, Cidadãos e Podemos (42,4%), excluindo o PP, que governa desde 2011 com maioria absoluta e tem sido envolvido em inúmeros escândalos de corrupção.

Já na sondagem da Metroscopia para o “El País”, verificam-se tendências iguais mas algumas variações nos números: o PP também reúne mais intenções de voto (25,3%), o PSOE segue-o um pouco mais de perto (21%), e Cidadãos (19,1%) e Podemos (18,2%) competem por uma diferença mínima. Segundo o “El País”, uma coisa é certa (e histórica): os eleitores podem estar divididos quanto ao quadrado em que vão colocar a sua cruz no dia 20 de dezembro, mas sabem que vão sair de casa para ir votar (o diário prevê que 80% do eleitorado espanhol se desloque às urnas, a participação mais alta desde 1982).