Siga-nos

Perfil

Expresso

Internacional

Cimeira histórica do clima: as primeiras críticas

  • 333

ETIENNE LAURENT/EPA

A Conferência sobre as mudanças climáticas (COP21) terminou neste sábado em Paris com um acordo assinado por 195 países saudado como “histórico”pela generalidade dos líderes mundiais. Mas algumas horas depois já se ouvem as primeiras críticas às limitações do tratado

O acordo que une todas as nações num esforço comum para tentar limitar a subida da temperatura no planeta abaixo dos 1,5 graus Célsius foi saudado em todos os cantos do mundo pelos grandes líderes políticos.

Os franceses, que presidiram à COP21 e a organizaram nos arredores de Paris, foram os mais entusiastas. Um deles, Laurent Fabius, que presidiu às sessões e às negociações durante os 13 dias da Conferência, quase chorou na sessão final, quando anunciou o acordo conseguido após muito difíceis negociações.

Mas, pouco depois, chegaram as primeiras críticas às limitações do acordo.

O climatólogo francês, Jean Jouzel, prémio Nobel da paz de 2007 com o GIEC, grupo de especialistas em clima, considerou-o pouco ambicioso por não prever “meios para agir até 2020”.

“O acordo não impõe a revisão dos compromissos, a única esperança é convidar os países que o assinaram a subirem a fasquia da ambição até 2020, mas trata-se apenas de um convite”, explicou Jouzel. “Se isso não for feito será demasiado tarde para atingir 1,5ºC e muito difícil para os 2ºC”, acrescentou este especialista.

“Há motivos importantes para estar cético”, disse pelo seu lado Nick Hewitt, professor de química atmosférica na Universidade britânica de Lancaster. "Para limitar o aquecimento global abaixo dos 2º C “seria necessário deixar os carburantes fósseis no solo, não os explorar e o acordo nada diz sobre este assunto”, acrescentou Hewitt.

“A tarificação do carbono, recomendada pela larga maioria dos economistas e numerosos decisores, não foi aceite pela Arábia Saudita e a Venezuela, e foi enterrada na indiferença geral pelos negociadores, comprometendo dessa forma seriamente a realização dos objetivos”, afirmou pelo seu lado Jean Tirole, prémio Nobel da economia de 2014.

A ausência, no texto do acordo, de uma referência a esta questão do carbono, também chamada de “preço do CO2” tinha também sido realçada ao Expresso por António Mexia, presidente da EDP portuguesa, nos últimos dias dos debates.

“Sem um aumento do preço do CO2, que está muito baixo, nenhuma empresa nem ninguém investirá em novas tecnologias e o problema continuará a colocar-se”, dissera Mexia.

O acordo permite no entanto alguma esperança, sublinham algumas das maiores Organizações Não Governamentais.

AGreenpeace, por exemplo, considera o acordo positivo e “marcante” porque coloca as energias fósseis “do lado mau da História”.

Nicolas Hullot e a sua Fundação com o mesmo nome, conselheiro para o clima da presidência francesa, saudou o “acordo universal e exigente de Paris”, mas acrescentou: “Temos esperança e só futuro confirmará se o acordo de Paris é histórico; tudo dependerá dos meios que serão postos em prática para realizar os compromissos agora assumidos pelos Estados”.