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Supermercados franceses proibidos de deitar comida fora

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Os supermercados passam a ser obrigados a doar a comida que sobrar a instituições de caridade

JOEL SAGET

Em França, cerca de 7,1 toneladas de comida são deitadas ao lixo todos os anos. As novas medidas relativas ao desperdício alimentar passaram no Parlamento francês por unanimidade e entram em vigor em janeiro de 2016

A partir do próximo ano, todos os supermercados franceses passarão a doar os alimentos que passarem do prazo, sem serem vendidos a instituições de caridade. A medida foi aprovada por unanimidade no Parlamento francês e faz parte de um conjunto mais amplo de medidas contra o desperdício alimentar.

Para além de serem forçadas a doar a comida que sobrar, estas superfícies passam também a estar proibidas de destruir produtos alimentares, medida que habitualmente é tomada para evitar que os alimentos cheguem a ser distribuídos.

Para mais, com a nova lei os cidadãos podem fundar associações que tenham a aprovação do Ministério da Agricultura francês com o objetivo de recolher e distribuir comida: “Isto significa que cidadãos normais podem mostrar solidariedade e ajudar a distribuir esta comida por aqueles que mais necessitam”, explica Arash Derambarsh, o conselheiro municipal de Courbevoie, na comuna francesa de Ilha de França, que já foi batizado pelo jornal “Le Monde” como “o hiperativista do desperdício alimentar”.

Para Arash Derambarsh, esta foi uma “vitória histórica”. Citado pelo britânico “The Guardian”, Derambarsh sublinha que “é muito raro que uma lei passe tão rapidamente e por unanimidade”. No entanto, o conselheiro sublinha que ainda há muito trabalho a fazer, defendendo que esta lei deve ser aprovada nos restantes Estados-membros da Comissão Europeia.

Além de ter promovido uma petição sobre o tema - só em França, houve 211 mil signatários -, Derambarsh divulgou a iniciativa na sua conta do Twitter:

Em França, cerca de 7,1 toneladas de comida são deitadas ao lixo todos os anos. Quando o território analisado é o da União Europeia no seu conjunto, o cenário não é animador: os Estados-membros deitam fora cerca de 89 milhões de toneladas de alimentos por ano.

A novidade, que foi descrita no Parlamento francês como sendo uma “medida crucial para o planeta”, entra em vigor a 13 de janeiro, depois de passar pelo Senado.