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Venezuela. Petróleo a preço de amigo tem os dias contados

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Reuters

Economista cubano antecipa mudanças profundas nas relações diplomáticas entre a Venezuela e os seus vizinhos da América Central e Caraíbas, na sequência da vitória da oposição liderada por Henrique Capriles

“Nem mais um barril à borla.” Eis uma das promessas que o líder da oposição venezuelana Henrique Capriles terá de cumprir nos próximos tempos, fruto da vitória nas eleições parlamentares de domingo, e que deverá ditar a morte da chamada “diplomacia do petróleo”, estratégia seguida pelo chavismo para afirmar a Venezuela como potência regional.

“Desde o início, para a revolução bolivariana, o petróleo foi um eficaz instrumento de política externa, útil para forjar um eixo latino-americano de esquerda mas também para conseguir apoio e votos nos organismos internacionais”, lembra ao “El Pais” o economista cubano Carmelo Mesa-Lago.

Quando há mais de dez anos conceberam a Aliança Bolivariana para os Povos da Nossa América (ALBA) como contrapoder a Washington nesta região do mundo, os então Presidentes Hugo Chávez (Venezuela) e Fidel Castro (Cuba) sabiam que solidariedade sem dinheiro não ia longe. E meteram mãos à obra criando em 2005 a Petrocaribe, uma aliança constituída por 14 países da América Central e Caraíbas (atualmente conta com 17) com o objetivo de garantir o fornecimento de petróleo a preços mais justos, evitando os intermediários.

Em dez anos, segundo dados oficiais, a Petrocaribe forneceu 301 milhões de barris de crude (400 mil por dia em 2013) a preços de amigo, satisfazendo mais de 40% das necessidades da maior parte dos Estados-membros desta organização, chegando mesmo aos 50% em alguns casos. Nos primeiros dois anos, o petróleo era fornecido completamente à borla e a partir daí os países assumiam a posição de devedores em empréstimos com taxas de juro entre 1% e 2% e prazos de amortização entre 17 e 25 anos.

Países em permanente crise como República Dominicana, Guiana ou Nicarágua tornaram-se leais apoiantes da revolução declarada por Hugo Chávez.

Segundo Carmelo Mesa-Lago, “a queda acentuada dos preços do petróleo já tinha obrigado o Governo de Nicolás Maduro a reduzir as ajudas. Agora, com a vitória da oposição, o novo Parlamento irá com toda a certeza rever estes acordos”.

  • Na era do petróleo barato

    Chegou custar 140 dólares por barril, em julho de 2008, mas daí para cá entrou em rota descendente. Ontem, pelas 14 horas, foi transacionado a menos de 40 dólares em Londres