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O vício voltou: o podcast que maravilhou o mundo está aí com o soldado misterioso

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A homepage do site do podcast

Nova temporada de “Serial” começou e investiga o caso do soldado norte-americano Bowe Bergdahl, acusado de deserção. A polémica em torno do militar já chegou à política - Obama foi criticado, Trump pediu o fuzilamento de Bergdahl

Luís M. Faria

Jornalista

Começou esta quinta-feira a nova temporada de “Serial”, o podcast que levou o jornalismo de rádio a uma nova dimensão (dizem que é o melhor podcast do mundo - pode ouvi-lo AQUI). A investigação do ano passado, centrada na história de um homem que foi condenado por assassinar a ex-namorada e está preso há duas décadas e meia, conseguiu levantar suficientes dúvidas sobre o caso – ou pelo menos, sobre vícios processuais – para conseguir que o condenado fosse autorizado a apresentar um novo recurso (no mês passado, um tribunal decidiu que a fase da sentença vai ser repetida). Os doze episódios dessa temporada terão sido descarregados dezenas de milhões de vezes na internet, e receberam prémios. Agora, o tema é igualmente uma investigação, mas de outro tipo. Não se trata de saber o que aconteceu, mas os motivos por que aconteceu.

O caso refere-se ao soldado norte-americano Bowe Bergdahl, que numa noite em junho de 2009 deixou a sua base no Afeganistão sem avisar ninguém, levando apenas água e snacks, um bloco-notas e algum dinheiro. Deambulou pelo deserto até ser encontrado pelos talibã, o que não tardou. Ao longo de quase cinco anos de cativeiro, foi usado em vídeos de propaganda e sofreu torturas. O exército lançou operações de busca, durante as quais morreram seis soldados. Outros oito poderão ter morrido em consequência de a base, devido ao seu desaparecimento, ter acabado por ficar aberta além do prazo previsto. Quando Bergdahl regressou finalmente a casa, após uma troca de presos, as celebrações rapidamente deram lugar às críticas, e o exército acusou-o formalmente de deserção e outros crimes militares.

Tal como na primeira temporada, “Serial” explora a questão central e uma série de linhas paralelas por meio de entrevistas com uma grande variedade de gente. O mais importante dos entrevistados é o próprio Bergdahl, que tinha falado sobre o caso durante horas para um outro projeto em curso e autorizou a utilização dessas conversas no podcast. Bergdahl não contesta os factos da acusação, mas diz que o seu objetivo era alertar os seus superiores para problemas de segurança que existiriam na sua base. A acusação apresenta a sua conduta a uma luz menos nobre. Inevitavelmente, a política também se mete no assunto, com os republicanos a atacar Obama por ter procedido à troca de presos. Donald Trump chama traidor ao soldado e sugere que devia ser fuzilado.

Se esta segunda série de “Serial”, cujos novos episódios vão para o ar à quinta-feira, for tão boa como a primeira, há pelo menos um certeza: continuará a ser o melhor podcast do mundo (logo a seguir aos do Expresso, que pode ouvir AQUI)