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Muhammad Ali não responde a Trump, mas é como se o tivesse feito

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Reuters

Ex-campeão do mundo de pesos-pesados, que é muçulmano, pronuncia-se sobre o jiadismo e os ataques de Paris. Sublinha que não quis responder a Trump - que quer impedir os muçulmanos de entrarem nos EUA -, mas que falou em defesa de um povo muçulmano que não se revê na barbárie

Donald Trump afirmou que todos os muçulmanos devem ser total e imediatamente impedidos de entrar nos Estados Unidos. As suas palavras originaram a revolta da comunidade internacional. Depois das polémicas declarações do pré-candidato à Casa Branca, o lendário pugilista Muhammad Ali, um dos mais conhecidos muçulmanos nos EUA, reagiu em defesa do seu povo.

“Eu sou muçulmano e não há nada de islâmico em matar pessoas inocentes em Paris, em San Bernardino ou em qualquer outro lugar do mundo”, defendeu o antigo pugilista, de 72 anos, em comunicado enviado à “NBC News” esta quarta-feira.

“Os verdadeiros muçulmanos sabem que a violência desmedida dos chamados jiadistas vai contra os princípios da nossa religião”, sublinha Ali. “Acredito que os nossos líderes políticos devem usar as suas posições para trazer compreensão sobre o islão e clarificar que esses assassinos distorceram a opinião das pessoas sobre o que é realmente o islão.”

O porta-voz do antigo campeão mundial de pugilismo, Robert Gunnell, esclareceu à Reuters que o comunicado não era “uma resposta direta a Donald Trump”, mas sim a declaração da “crença de Muhammad Ali, no sentido em que os muçulmanos devem rejeitar visões jiadistas extremistas”.

Trump causou a revolta de líderes internacionais, instituições religiosas, cidadãos e políticos por ter defendido, na segunda-feira, um bloqueio “completo e total” à entrada de muçulmanos nos Estados Unidos. O candidato republicano às eleições presidenciais norte-americanas tem recebido várias críticas. No Reino Unido, mais de 400 mil pessoas já assinaram uma petição online para impedir Trump de visitar o país.