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Luaty Beirão retoma greve de fome

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manuel de almeida/lusa

Contra a morosidade do julgamento iniciado a 16 de novembro, quatro ativistas começaram esta quinta-feira uma nova greve de fome em São Paulo de Luanda. Entre eles está Luaty Beirão, rapper luso-angolano

O rapper luso-angolano Luaty Beirão retomou a greve de fome esta quinta-feira, 43 dias depois de ter terminado a primeira, que durou 36 dias. A informação de que Luaty, Domingos da Cruz e outros dois ativistas detidos desde junho passado em Luanda iniciaram esta quinta-feira uma nova greve de fome foi confirmada por Esperança Gonga, mulher do professor universitário Domingos da Cruz, que é citada pela “Maka Angola”.

A “Maka Angola”, plataforma de defesa da democracia dirigida e fundada pelo jornalista Rafael Marques, diz que os outros dois grevistas são o jornalista Sedrick de Carvalho e o rapper José Gomes Hata, citando a Lusa.

Esperança Gonga contactou a família dos outros três detidos que acompanham o seu marido nesta nova greve de fome: “Pelo que conseguimos perceber hoje de manhã, quando fomos levar a comida, são esses quatro que se estão a recusar a comer, em protesto contra a morosidade do julgamento”.

Luaty e os outros três ativistas que iniciaram esta quinta-feira uma nova greve de fome estão detidos no Hospital-Prisão de São Paulo.

De olhos postos em São Paulo de Luanda

Em junho deste ano, as autoridades angolanas detiveram um grupo de 17 jovens [duas destas jovens estão em liberdade provisória]. A 16 de setembro, 15 elementos deste grupo, entre os quais Luaty Beirão, foram acusados formalmente de prepararem uma rebelião e um atentado contra o Presidente da República, que incluíam barricadas nas ruas e desobediência civil.

Na sequência do despacho de acusação, os advogados de defesa requereram a abertura da instrução contraditória, com o objetivo de obterem um parecer de um politólogo sobre o livro “From Dictatorship to Democracy”, do norte-americano Gene Sharp.

Sharp é descrito pela acusação como ideólogo das ações desestabilizadoras em vários países que viram derrubados os seus governos. A acusação diz que este autor era lido durante as alegadas ações de formação dos 17 ativistas detidos em Luanda a 20 de junho.

“Os arguidos planeavam, após a destituição dos órgãos de soberania legitimamente instituídos, formar o que denominaram Governo de Salvação Nacional e elaborar uma nova Constituição”, lê-se na acusação, deduzida três meses depois das detenções. Os jovens negam as acusações, e alegam que apenas se reuniam para discutir política.

Luaty Beirão terminou a sua primeira greve de fome, que durou 36 dias, a 27 de outubro, depois de ter sido transferido do hospital-prisão de São Paulo de Luanda para uma clínica privada da capital angolana, ao 25.º dia de greve de fome.

Luaty fez a sua primeira greve de fome para denunciar que estava detido ilegalmente, depois de a 20 de setembro terem terminado os 90 dias de prisão preventiva.