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COP21. “Paris é já um sucesso, mas sem subida do preço do CO2 empresas não investem em novas tecnologias”

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António Mexia gostaria de ver maior presença das empresas no texto final da Cimeira do Clima e diz ser indispensável que o acordo preveja “o controlo dos compromissos, porque as promessas têm de ser cumpridas”. Presidente da EDP participou na COP21 e acha que preço do CO2 está demasiado baixo

Com a conferência sobre as mudanças climáticas na fase final e a viver as últimas horas de difíceis e intensas negociações para tentar chegar a um “acordo ambicioso” para limitar o aquecimento global, o presidente da EDP – Energias de Portugal diz que “Paris é já um sucesso no caminho para a descarbonização das economias”.

“Aconteça o que acontecer no fim da COP21 (termina esta sexta-feira), ela é já um sucesso quando comparada com as anteriores, mas tem de haver um controlo dos compromissos porque as promessas têm de ser cumpridas”, sublinha António Mexia.

“Deram-se passos muito importantes, há uma tomada de consciência envolvendo mais de 190 países que avançam com compromissos voluntários, o processo político foi bem gerido pela França e isso não era fácil de gerir, há um nível generalizado de tomada de consciência envolvendo também fortemente o mundo dos negócios e as empresas”, acrescenta António Mexia ao Expresso.

No entanto, o líder da EDP gostaria que o projeto de texto de acordo final atualmente em discussão em Le Bourget, nos arredores de Paris, tivesse “maior presença das empresas e do mercado”. “A COP21 está no meio do caminho, a questão do mercado do CO2, do seu preço, que está hoje na Europa demasiado baixo, deveria ser incluída num acordo”, explica.

“Sem uma subida dos preços do C02 no mercado grossista, que deveria ser globalizado, as empresas não investirão em nenhuma nova tecnologia”, garante António Mexia.

A 48 horas do prazo para chegar a um acordo final, o texto atualmente em discussão também é considerado insatisfatório por várias organizações não-governamentais presentes na COP21, entre elas a Fundação Nicolas Hulot, que aconselha o Governo de Paris, que preside à conferência.

Os pontos principais onde ainda existem grandes divergências são, segundo esta fundação ecologista, a diferenciação dos esforços que cada país deve fazer consoante os seus meios e as suas responsabilidades nas mudanças climáticas, os níveis de financiamentos e os modos de os concretizar, bem como os objetivos a longo prazo para travar o aquecimento do planeta, mantendo-o sob a barra dos dois graus Célsius.

“A ambição final ainda não foi definida, há pontos ambíguos”, diz um porta-voz da Fundação do conhecido ecologista francês.

No que respeita à EDP, a empresa figura entre as que assinaram um plano de ação para investir nas energias renováveis e é geralmente vista como sendo uma das que assumiu convenientemente a aposta nas chamadas “boas práticas energéticas”.

“Temos de avançar para a descarbonização, Paris tem muita vontade política inovadora, há muita gente interessada, mas é preciso controlar e ter a certeza de que os compromissos serão cumpridos e, nesse domínio, as empresas e os mecanismos do mercado, designadamente do C02, deveriam estar mais presentes nas negociações”, conclui António Mexia.

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