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Bruxelas e Alemanha em tribunal por causa da Mercedes: empresa alerta para explosão em caso de acidente

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Na base do diferendo está a utilização de um líquido de arrefecimento mais amigo do ambiente e que Bruxelas quer que o fabricante alemão utilize - à semelhança de outras empresas. Por sua vez, a Mercedes diz que este líquido representa sérios perigos em caso de acidente

A Comissão Europeia anunciou esta quinta-feira que vai colocar a Alemanha em tribunal por não obrigar o fabricante Daimler, que detém as marcas Mercedes-Benz e Smart, a usar um novo refrigerante de ar condicionado com menos impacto ambiental e mais seguro.

A Daimler não quer utilizar o novo refrigerante porque alega que, feitos os testes de longa duração nos carros Mercedes-Benz, o líquido de arrefecimento chega a um ponto de ebulição que pode fazer com que os carros fiquem mais propensos a explodir em caso de acidente.

Bruxelas rejeitou as alegações da Daimler sobre a perigosidade do novo refrigerante, afirmando que "estas preocupações não foram compartilhadas por qualquer outro fabricante de automóveis", acrescentando que também não foram rejeitadas pelas autoridades de transporte alemãs.

A Alemanha, líder europeu no fabrico de automóveis, poderá enfrentar pesadas multas por ter infringido as leis da União Europeia. Esta decisão aumenta a pressão sobre a indústria automobilística alemã, que está a braços com o maior escândalo em 78 anos, devido ao facto de o grupo Volkswagen ter manipulado os testes de emissões de gases dos seus carros a gasóleo.

A Comissão Europeia disse num comunicado que decidiu colocar a Alemanha em tribunal sobre a questão Daimler. "A Comissão alega que a Alemanha violou a legislação da União Europeia, permitindo que o fabricante de automóveis Daimler AG tenha colocado veículos automóveis no mercado da União que não estavam em conformidade com a diretiva (relativa ao ar condicionado), que não tomou qualquer medida de correção", refere o comunicado.

Já em setembro do ano passado, a Comissão Europeia tinha alertado a Alemanha para a possibilidade de o assunto poder acabar em tribunal caso não agisse. "Apesar dos contactos entre a Comissão e as autoridades alemãs, no âmbito do processo de infração, a Alemanha não tomou quaisquer medidas adicionais", disse a Comissão Europeia.

Desde 2013 que a regulamentação da UE exige que os fabricantes de automóveis usem um refrigerante chamado R1234yf, com o fundamento de que produz muitos menos gases de efeito estufa do que os refrigerantes mais antigos. A Daimler está a utilizar um mais antigo, chamado R134a, e sustenta em estudos que o novo refrigerante incendeia-se mais facilmente e coloca os carros em maior risco de explosão em caso de acidente.

Os fabricantes de R1234yf, os gigantes norte-americanos Dupont e Honeywell, rejeitam as alegações da Daimler.

A Alemanha deu à Daimler uma permissão especial para continuar a usar o refrigerante antigo, apesar da aprovação inicial do novo refrigerante pela Associação Alemã de Fabricantes de Automóveis (VDA), da qual a Daimler é membro.