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194 mexicanos vítimas de experiência cerebral

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Um tubo para combater a hidrocefalia foi-lhes colocado no crânio, para drenar o liquido acumulado, mas o sistema não tinha forma de regular a pressão craniana, acabando por causar danos irreversíveis aos pacientes

O sistema para tratar a hidrocefalia - acumulação de líquido no crânio, aumentando a pressão e podendo causar lesões cerebrais - não estava autorizado para ser experimentado em humanos, mas foi utilizado em pelo menos 194 mexicanos entre 2004 e 2009, causando-lhes danos irreversíveis e levando-os a travar uma batalha legal, que ainda persiste, pela obtenção de indemnizações, segundo noticia esta quinta-feira o “El País”.

O sistema consistia num tubo colocado no crânio para drenar o líquido para o nariz, mas não tinha forma de regular a pressão intracraniana. Os pacientes passaram a não poder sequer dormir deitados, pois na posição horizontal o líquido acumulava e sentiam uma enorme pressão na cabeça. Ao levantarem-se, sentiam o crânio a esvaziar-se.

“Fomos uma experiência”, diz María de Loures Wallup, de 54 anos, recordando as dores insuportáveis na cabeça, os vómitos e as recomendações para dormir sentada.

O dispositivo havia sido criado por Julio Sotelo Morales, diretor do Instituto Nacional de Neurologia e Neurocirurgia (INNN) do México.

Além do problema da falta de regulação, o dispositivo era feito do mesmo plástico usados nos cateteres, material não adequado para ser implantado dentro do corpo humano. Os pacientes não receberam sequer a informação de que se tratava de um sistema experimental.

As intervenções foram efetuadas, sem supervisão, por médicos internos não remunerados, saindo quase grátis ao INNN (o tubo custava cerca de dois euros), mas a irmã de uma das pacientes relatou ao “El País” que lhe cobraram cerca de 16 mil euros.

Em 2010, a Comissão Nacional de Arbitragem Médica do México decidiu a favor de umas doentes queixosas.