Siga-nos

Perfil

Expresso

Internacional

Síria. Trégua numa das cidades há mais tempo em guerra

  • 333

Vista sobre a cidade síria de Homs

OMAR SANADIKI/REUTERS

Foi das primeiras cidades a rebelar-se contra Bashar al-Assad, no contexto da Primavera Árabe. Esta quarta-feira, após um acordo entre oposição e regime, Homs volta a estar sob controlo de Damasco

Margarida Mota

Jornalista

Raros são os dias em que se ouve falar de tréguas na Síria. Esta quarta-feira é, porém, um deles. Centenas de civis e combatentes começaram a ser retirados da zona de Waer, a última área da cidade de Homs disputada por forças da oposição e tropas leais ao Presidente Bashar al-Assad.

A movimentação segue-se a um acordo de cessar fogo, mediado pela ONU, celebrado entre rebeldes e regime. No total, cerca de 2000 rebeldes e respetivas famílias deixarão os arredores de Homs, onde têm vivido sitiados desde 2012. Toda a cidade volta assim a estar sob controlo do Governo de Damasco.

Segundo o governador provincial Talal Barazi, a retirada prevista para esta quarta-feira envolve cerca de 700 pessoas: 400 mulheres e crianças e 300 combatentes. Segundo a BBC, o grupo será levado para a província de Idlib, controlada pela aliança rebelde Exército da Conquista, de que faz também parte a Frente Al-Nusra, ligada à Al-Qaeda.

Citado pela Agência France-Presse (AFP), Rami Abdel Rahman, diretor do Observatório Sírio dos Direitos Humanos, afirmou que forças desta coligação rebelde farão a escolta dos autocarros.

Um jornalista da AFP testemunhou a entrada de dezenas de mulheres e crianças em pelo menos oito autocarros brancos. Nas imediações havia também veículos das Nações Unidas.

“A primeira fase ficará concluída até ao final da próxima semana”, disse o governador Barazi. A operação implica também a retirada de centenas de combatentes, alguns com ligações à Al-Qaeda. Grupos mais moderados que aceitaram o cessar-fogo permanecerão em Waer.

Assad dita os termos

Este tipo de acordos tem sido usado pelo regime sírio em várias zonas em disputa, que vê neles a melhor forma de ditar os termos do fim dos combates. Nalguns casos, Damasco permite inclusivé que alguns grupos conservem o seu armamento e controlem as respetivas comunidades.

Ativistas sírios criticam esta estratégia do Governo de Assad referindo que estes acordos resultam de rendições após bloqueios punitivos sobre as populações. Este acordo permitirá também o fornecimento de alimentos e a entrada de ajuda humanitária na área.

Situada no centro da Síria, Homs foi das primeiras cidades sírias a manifestar-se nas ruas contra o regime sírio, em 2011, no contexto da Primavera Árabe. Chegou a ser designada “capital da revolução”.