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“Noiva nazi” falou pela primeira vez durante julgamento, vítimas indignam-se

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MICHAEL DALDER/REUTERS

Ao fim de dois anos e meio de julgamento, Beate Zschäpe - acusada de ter pertencido a um grupo neonazi que matou 10 pessoas, grande parte dos quais turcos – falou pela primeira vez. Os advogados das vítimas disseram contudo que mais valia que tivesse permanecido calada e que não acreditam numa palavra do que disse

“Eu peço sinceras desculpas às vítimas e às suas famílias”, afirmou esta quarta-feira a arguida Beate Zschäpe, acrescentando que se sentia “moralmente culpada por não ter evitado os 10 assassínios”, naquelas que foram as suas primeiras declarações desde que o julgamento começou há dois anos e meio.

Zschäpe, de 40 anos, é acusada de ter integrado o grupo “Nacionalismo Socialista Clandestino”, que além de ter morto 10 pessoas, grande parte dos quais turcos, também levou a cabo outros crimes, como assaltos a bancos.

A arguida diz que só soube à posteriori dos crimes cometidos pelos dois principais membros do grupo, um dos quais seu companheiro. Um dos seus advogados leu uma declaração em seu nome, de 53 páginas, nas quais descreveu a sua infância, na antiga República Democrática Alemã, com um pai ausente e uma mãe alcoólica negligente.

“Eu não acredito numa palavra do que ela disse”, afirmou Mehmet Daimagüler, advogado dos familiares das vítimas, muitos dos quais deslocaram-se até Munique para ouvir as declarações. “Os meus clientes queriam saber porque tiveram de morrer os seus pais, maridos e irmãos. A sra. Zschabe não disse nada quando a isso”, acrescentou. “Se isto é tudo o que a sra. Zschäpe tinha para nos dizer, mais valia que tivesse ficado calada”, disse Stefan Lucas, outro advogado dos familiares das vítimas.

Os dois principais membros do grupo suicidaram-se em 2011, após terem sido descobertos pela polícia. Em seguida, Zschäpe pegou fogo à residência onde viveu com eles durante 13 anos.

A arguida admitiu ter causado o incêndio, mas afirmou que levou a cabo todos os esforços para alertar outros residentes que se encontrassem no prédio antes de se entregar à polícia. A acusação considera que ela sabia que o fogo colocaria em perigo o funcionário do edifício que se encontrava no último piso.