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Olímpicos 2016. Estudo denuncia violações dos direitos humanos no Rio de Janeiro

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As favelas do Rio de Janeiro mantêm os elevados índices de violência

FOTO RICARDO MORAES/REUTERS

O estudo, divulgado pelo Comité Popular Rio Copa e Olímpiadas, revela que pelo menos 4.120 famílias perderam as suas casas e outras 2.486 enfrentam ameaças de despejo devido a projetos urbanos aprovados no âmbito do Mundial de 2014 e dos Jogos Olímpicos do próximo ano

Helena Bento

Jornalista

Um estudo desenvolvido recentemente por académicos e organizações não-governamentais revela que foram cometidos abusos e violações dos direitos humanos no Rio de Janeiro, incluindo violência policial e más condições de trabalho, no contexto dos preparativos para os Jogos Olímpicos de 2016.

O estudo, divulgado pelo Comité Popular Rio Copa e Olímpiadas, revela que pelo menos 4.120 famílias perderam as suas casas e outras 2.486 enfrentam ameaças de despejo devido a projetos urbanos aprovados no âmbito do Mundial de 2014 e dos Jogos Olímpicos do próximo ano. Em resultado disso, milhares de crianças foram deslocadas e deixaram de ter acesso, pelo menos temporariamente, a educação, saúde e outros serviços sociais.

Ativistas do comité destacam problemas como os despejos, a violência policial e as más condições trabalho, e pedem ao Comité Olímpico Internacional (COI) para estar mais atento e garantir mecanismos que assegurem o respeito pelos direitos humanos.

O estudo revela ainda que muitos jovens foram vítimas de violência policial no decorrer da aplicação de programas que pretendiam tornar as favelas locais mais seguros e que fazem parte da estratégia da cidade de se tornar capaz de acolher eventos de grande dimensão. Alguns desses jovens foram atingidos a tiro e morreram, muitos ficaram feridos e outros tantos sofreram danos psicológicos dada a tensão provocada pelos conflitos constantes.

A organização não-governamental holandesa Terre des Hommes, que contribuiu para o estudo, produziu vários vídeos que testemunham algumas destas situações. Naomy, uma rapariga de 12 anos, conta como a sua favela - a famosa Vila Autódromo - foi demolida para ali ser erguido um parque olímpico. E Gabriel, um rapaz de 13 anos, conta que foi atingido por uma bala enquanto brincava com berlindes, depois de os militares terem ocupado o Complexo da Maré, um dos maiores emaranhados de favelas do Rio de Janeiro, situado junto ao aeroporto da cidade.

A câmara municipal do Rio de Janeiro já veio desmentir as alegações. Disse que a maior parte dos realojamentos - cerca de 72% - nada tiveram a ver com o Mundial ou com os Jogos Olímpicos, e que a preocupação foi apenas afastar as famílias de áreas consideradas propensas a cheias e deslizamentos de terras, refere o "Guardian". E um porta-voz do presidente da Câmara acrescentou que as crianças da cidade estão agora muito melhor do que antes, graças aos investimentos que foram feitos na saúde e educação.