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Obama. “A liberdade é mais poderosa do que o medo”

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Este foi o quarto discurso proferido por Obama a partir da Sala Oval

YURI GRIPAS

Num discurso que chamou as atenções pelo sítio a partir do qual foi proferido - apenas pela quarta vez em dois mandatos, a Sala Oval foi o palco escolhido -, Obama voltou a assegurar que não vai enviar militares norte-americanos para terreno sírio. A sua intenção é outra: enfrentar o Daesh com “força, inteligência e resiliência”

Há cinco anos, Barack Obama aparecia na Sala Oval da Casa Branca pela terceira vez. Dizia o presidente norte-americano, na altura: “Os Estados Unidos pagaram um preço enorme para pôr o futuro do Iraque nas mãos do seu povo”. Foi o fim da guerra no Iraque.

Este domingo, Obama voltou à Sala Oval para o quarto discurso que faz naquele espaço. E foi esta a novidade, uma vez que o presidente costuma falar ao país a partir da Sala Este ou do jardim da Casa Branca. Em termos de conteúdo, a história foi outra: é que o presidente dos Estados Unidos aproveitou para reiterar que o país não vai mudar a sua estratégia de combate ao autoproclamado Estado Islâmico (Daesh) depois de, na passada quarta-feira, um casal suspeito de ter ligações ao grupo extremista ter matado a tiro 14 pessoas em San Bernardino, Califórnia.

Quanto ao discurso do chefe de Estado norte-americano, um guião com uma mensagem principal: “O nosso sucesso não pode depender de conversa dura, ou de abandonarmos os nossos valores e entregarmo-nos ao medo. Isso é o que grupos como o Daesh querem. Em vez disso, vamos vencer sendo fortes, inteligentes e resilientes”.

Obama veio assim contrariar a expectativa da ala republicana de que pudesse vir anunciar uma mudança de estratégia, concretamente o envio de tropas para o terreno. “Não devemos ser arrastados uma vez mais para uma guerra longa e dispendiosa no Iraque ou na Síria. Isso é o que grupos como o Daesh desejam”, afirmou, justificando: “Eles sabem que se ocuparmos terras estrangeiras, poderão alimentar revoltas durante anos, matando milhares de militares norte-americanos e gastando os nossos recursos”.

Insistindo que o país se encontra “do lado certo da História”, Obama pediu união: “Vamos assegurar-nos de que nunca nos esquecemos daquilo que nos torna excepcionais. Não vamos esquecer-nos de que a liberdade é mais poderosa do que o medo”.

Uma “nova fase” para o terrorismo

Quanto à forma como planeia combater o Daesh, novas garantias. Recordando que não há provas de que os responsáveis pelo ataque de San Bernardino, mortos de imediato nos confrontos com a polícia, “fizessem parte de uma conspiração maior” ou “obedecessem a um grupo estrangeiro”, o presidente norte-americano reconheceu que é preciso dar resposta à ameaça terrorista, prometendo reforçar as atuais medidas em vigor: bombardeamentos aéreos, apoio a aliados que estão no terreno e esforços diplomáticos.

No entanto, o presidente norte-americano reconheceu que os ataques de San Bernardino representam uma “nova fase” para a ameaça terrorista, dizendo que os Estados Unidos estão bem preparados para impedir ataques semelhantes ao 11 de setembro, mas lembrando que os terroristas se concentram agora em estratégias “menos complicados”, como este tipo de tiroteios: “À medida que grupos como o Daesh cresciam no meio do caos da guerra do Iraque e da Síria, e à medida que a Internet apaga a distância entre países, vemos esforços cada vez maiores dos terroristas para envenenar as mentes de pessoas como os bombistas de Boston ou os assassinos de San Bernardino”.

Obama aproveitou ainda a intervenção para reafirmar a importância de uma política de controlo das armas mais severa: “Temos de tornar mais difícil a compra de armas de assalto, como aquelas usadas em San Bernardino”. E acrescentou, enfatizando aquela que tem sido uma das grandes bandeiras dos seus dois mandatos: “Os nossos serviços secretos, não importa quão eficientes são, não conseguem identificar cada potencial atacante, seja esse indivíduo motivado pelo Daesh ou por outra ideologia de ódio”.