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Alerta vermelhíssimo em Pequim. Está que não se respira

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HOW HWEE YOUNG / EPA

Crianças em casa e carros na garagem. Estas são apenas duas medidas de emergência adotadas pelas autoridades da capital chinesa para combater a intensa poluição atmosférica

Pela primeira vez, os níveis extremos de poluição atmosférica obrigaram as autoridades de Pequim a decretar o alerta vermelho na capital chinesa, recomendando o encerramento de escolas e proibindo as atividades no exterior bem como a circulação de milhares de automóveis, entre outras medidas de emergência.

O alerta vermelho, o mais grave de uma escala com quatro níveis adotada há cerca de dois anos, é declarado ao terceiro dia consecutivo de denso nevoeiro branco, impregnado com um odor forte de carvão, que limita a visibilidade.

Numa nota online, o Departamento do Ambiente da Câmara Municipal de Pequim justifica este alerta como forma de “proteger a saúde da população e reduzir os níveis de substâncias poluentes no ar”.

Um residente disse ao correspondente em Pequim da agência norte-americana Associated Press que pouco mais podem fazer para se defenderem da poluição do que usar máscaras.

Esta segunda-feira foram registados 300 microgramas por metro cúbico de PM2,5 (particulas em suspensão com diâmetro menor do que 2,5 milésimos de milímetro) quando o valor de referência da Organização Mundial da Saúde é de 25 durante 24 horas. Até à previsível chegada de uma frente fria, esta quinta-feira, a situação irá piorar.

É a segunda vez este mês que uma nuvem poluente teima em não se dissipar nos céus desta cidade com 22,5 milhões de habitantes. Já tinha sido assim em novembro, quando uma vaga frio intenso obrigou à produção acrescida de energia, para responder a um aumento do consumo. Entre as maiores fontes de poluição atmosférica estão as centrais de produção de energia a carvão de onde sai mais de 60% da eletricidade consumida na China.

Para além do recomendado encerramento de escolas, que alguns estabelecimentos de ensino públicos não acataram, as autoridades limitaram ainda as emissões de gases por parte da indústria e ponderam encerrar autoestradas devido à falta de visibilidade.

Principal país poluidor no mundo, a China anunciou na semana passada em plena conferência do clima (COP21), em Paris, a intenção de reduzir em 60% as emissões dos principais poluentes das suas centrais a carvão até 2020, modernizando estas estruturas.

Jos Lelieveld, investigador do Instituto Max Planck, num artigo publicado este ano na revista Nature estimava que 1,4 milhões de chineses poderiam morrer prematuramente, a cada ano, devido à poluição.