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"Folha de São Paulo" aponta irregularidades nas eleições na Venezuela

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CARLOS GARCIA RAWLINS/REUTERS

Atrasos no encerramento das urnas, apelo ao voto, campanha eleitoral em dia de reflexão e votos nulos considerados suspeitos. São estas algumas das irregularidades apontadas pelo jornal brasileiro

Helena Bento

Jornalista

Atrasos no encerramento das urnas, parcialidade da televisão estatal na cobertura da campanha, incentivo ao voto e campanha eleitoral em dia de reflexão, e votos nulos considerados suspeitos. No dia em que se decide o futuro do Presidente Nicolás Maduro e a continuação do regime chavista, o jornal "Folha de São Paulo" aponta várias irregularidades no processo eleitoral.

De acordo com o jornal brasileiro, o atual presidente da Assembleia Nacional e candidato do PSUV (Partido Socialista Unido da Venezuela), Diosdado Cabello, violou a lei eleitoral ao apelar ao voto no seu partido.

"Se os [eleitores] estão perdidos, que votem pelo PSUV, porque assim não perdem nada", disse este domingo, quando questionado sobre a reduzida visibilidade dos candidatos da coligação MUD - Mesa da Unidade Democrática - formada por partidos da oposição.

O "Folha de São Paulo" acusa ainda o PSUV de Nicolás Maduro de fazer campanha eleitoral em dia de reflexão. Vários carros do partido foram vistos a circular nas ruas. Também houve relatos de abusos por parte da oposição, que terá distribuído material de campanha nos arredores de alguns centros de votação no país.

Também a organização não-governamental Transparência Venezuela relatou 11 casos de violação à liberdade de expressão. Repórteres do jornal "El Nacional", que se opõe ao regime de Nicolás Maduro, foram agredidos com pedras e outros jornalistas foram detidos pela polícia e obrigados a apagar fotografias e gravações, refere o jornal brasileiro.

Dois casos envolvendo eleitores que não conseguiram registar o seu voto levantaram dúvidas a respeito da transparência do processo eleitoral. "Pressionei a tecla, mas o comprovativo da máquina deu nulo. Quando gritei que queria apresentar queixa ameaçaram prender-me", contou Martin Noguera, de 69 anos, depois de votar em Las Acacias, em Caracas.

As urnas deveriam ter encerrado às 18h00 locais (22h30 em Lisboa), mas a elevada participação de eleitores levou as autoridades a prolongaram a votação por mais uma hora. A decisão gerou vários protestos entre a população.

Sondagens recentes relativas à intenção de voto apontam para uma vitória da coligação dos partidos da oposição.