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Homem esteve preso por engano durante 13 anos em Guantánamo

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A confusão terá tido origem no seu nome, mas é bizarro que demorasse tanto a esclarecer-se

Luís M. Faria

Jornalista

Mustafa al-Aziz al-Shamiri não é um nome familiar da generalidade das pessoas. Talvez isso venha a mudar com o tempo. Passou os últimos anos detido em Guantánamo, e ao que parece, sem razão. Pois o que o fez ser levado para lá foi uma mistura de identidades.

O Governo norte-americano já admitiu o erro. Diz que al-Shamiri não passou de um soldado raso. Ao contrário do que se pensava, não foi correio de Bin Laden nem participou em quaisquer atividades terroristas. Porém, o seu nome deu origem a uma lamentável confusão, ainda mal esclarecida, com uma ou outra pessoas. Uma confusão que demorou 13 anos a esclarecer.

Um perfil tornado público pelo Ministério da Defesa norte-americano mantém que o detido “lutou em vários teatros jiadistas e andou associado a membros da al-Qaeda no Afeganistão". Em que terá consistido exatamente essa associação, e em que condições e por quem lutou al-Shamiri, parece não ser claro. Mas o perfil reconhece que, embora tenha sido “previamente estimado que YM-434 (designação do detido) foi também um facilitador ou correio da al-Qaeda, agora julgamos que essas atividades foram desempenhadas por outros conhecidos extremistas com nomes ou pseudónimos semelhantes a YM-434”.

São ainda referidos vários lugares onde al-Shamiri terá combatido, incluindo a Bósnia, o Afeganistão e o Iémen. Aparentemente, nada que justifique a sua detenção sem prazo definido. As dezenas de presos ainda em Guantánamo, em geral, são indivíduos considerados demasiado perigosos para serem libertados, mas em relação aos quais também não existem provas que permitam ou justifiquem uma condenação em tribunal. A dificuldade em decidir o que fazer com eles explica que o Presidente Barack Obama ainda não tenha conseguido encerrar essa cadeia, ao contrário que prometeu quando se candidatou.

al-Shamiri parece não se encontrar minimamente nessa situação. Os seus advogados dizem que tudo o que ele quer é “obter uma educação a fim de sustentar uma futura esposa que a sua família já localizou para ele”. Arrependido de ter escolhido “um caminho errado na vida”, aproveitou os últimos anos para aprender inglês, carpintaria, cozinha e arte. E embora saiba que não poderá regressar ao seu país de origem, o Iemen, “aceitará viver em qualquer outro país que o aceitar”.