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A Rússia de Putin

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A Rua Nevsky, em São Petersburgo

Cândida Pinto

Hoje, os russos sentem na pele os efeitos de uma recessão económica resultante das sanções económicas, da queda do preço do petróleo, da desvalorização do rublo

Cândida Pinto

A casa de chá na rua Nevsky , em São Petersburgo, está quase vazia. São três da tarde quando procuro Anna. Ela mostra-se reservada, como é aqui habitual no primeiro contacto . Estamos na cidade onde nasceu Vladimir Putin, a 7 de outubro de 1952, no nr. 12 da Rua Bashkov. Uma rua pacata, longe da exuberância imperial do Hermitage. Ainda hoje há quem viva em apartamentos comunitários, como aconteceu aos pais de Putin, depois da II Guerra Mundial e dos 900 dias de cerco a Leninegrado.

"Ele era uma pessoa sem história, que passava despercebido", conta Anna, que não morre de amores pelo Presidente russo. Esse era o interesse dele, tornar-se invísivel ao escolher como local de trabalho "The Big House", a sede do KGB em São Petersburgo, como espião.

Muito antes disso a cidade foi habitada por Fiódor Dostoiévsky, que saltava de apartamento em apartamento por falta de dinheiro, numa área pobre junto ao mercado. E por aí recolheu moradas verdadeiras para inserir no seu "Crime e Castigo".

São Petersburgo e Moscovo mantêm a rivalidade tradicional de duas grandes cidades. A meio da década de 90, Putin deixa a cidade onde nasceu para alimentar outras ambições e muda-se para Moscovo. Tal como hoje acontece com quem quer outros voos.

A ascensão meteórica leva-o ao Kremlin em 2000, onde domina o poder presidencial há 15 anos. "Quando chegou ao poder recebeu 50 oligarcas nas salas do Kremlin e disse-lhes: 'a política sou eu, os negócios é convosco'", conta Serge Spetschinsky , um descendente da aristocracia russa.

Canal junto à Rua Nevsky, em São Petersburgo

Canal junto à Rua Nevsky, em São Petersburgo

Cândida Pinto

Hoje, os russos sentem na pele os efeitos de uma recessão económica resultante das sanções económicas, da queda do preço do petróleo, da desvalorização do rublo. E com uma nova frente de combate aberta por Putin, ao envolver-se na guerra civil da Síria ao lado do Presidente Bashar al-Assad.

"As pessoas sentem-se inseguras, perdem o emprego, não conseguem viajar para fora do país por causa da descida do rublo", testemunha Anna. Ela reparte-se entre aulas de inglês e guia de visitas a São Petersburgo. Mas sente na pele as dificuldades, e as mudanças geopoliticas: menos turistas ocidentais, muito mais chineses.

Entre a enorme tristeza e a alegria imensa é assim, nas palavras de Anna, a alma russa. 142 milhões de habitantes no país mais vasto do mundo que amam ou odeiam o homem considerado pela revista "Forbes" o mais poderoso do planeta: Vladimir Putin.

[Ver reportagem de Cândida Pinto que passa esta noite no "Jornal da Noite" da SIC]