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Parlamento britânico aprova bombardeamentos contra o Estado Islâmico

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SUZANNE PLUNKETT/GETTY

A resolução foi aprovada com 397 votos a favor e 223 contra

O parlamento britânico deu esta noite luz verde aos bombardeamentos das posições do autoproclamado Estado Islâmico (Daesh) na Síria. A resolução foi aprovada com 397 votos a favor e 223 contra.

Durante mais de dez horas de debate, David Cameron alertou para a necessidade de combater o terrorismo, nomeadamente o Daesh que tem consolidado as suas posições no Iraque e na Síria e que tem também recrutado cidadãos europeus.

“Desde novembro do ano passado, os nossos serviços de segurança evitaram nada menos do que sete diferentes atentados contra o nosso povo. Esta meaça é muito real. A questão é esta: nós trabalhamos com os nossos aliados para degradar e destruir esta ameaça e vamos ter com estes terroristas aos seus redutos, de onde eles estão a conspirar para matar o povo britânico ou vamo-nos sentar e esperar que nos ataquem”, declarou Cameron, citado pelo “Guardian”.

Segundo o primeiro-ministro britânico, o Reino Unido tem o “dever moral” e “militar” de destruir o Daesh juntamente com a coligação internacional.

Cameron anunciou ainda o reforço das medidas para erradicar qualquer financiamento do extremismo no Reino Unido. “Eu posso anunciar hoje que vamos estabelecer uma revisão abrangente para erradicar qualquer financiamento do extremismo dentro do Reino Unido. Isso irá analisar especificamente a natureza, a escala e a origem do financiamento da actividade do extremismo islâmico no Reino Unido, incluindo todas as fontes no exterior”.

A seguir ao discurso do primeiro-ministro, a declaração do ministro sombra dos Negócios Estrangeiros, Hilary Benn, foi o momento alto do debate, tendo terminado com os aplausos da maioria parlamentar.

“Temos agora uma resolução clara e inequívoca das Nações Unidas (ONU). A ONU está a pedir-nos para fazer alguma coisa agora, para atuar na Síria e no Iraque. Foi um governo trabalhista que ajudou a fundar a ONU, no final da Segunda Guerra Mundial. Queríamos que as nações do mundo a trabalhar em conjunto para lidar com as ameaças à paz e segurança internacionais. O Daesh é, sem dúvida uma ameaça”, declarou Hilary Benn.

O próprio ministro dos Negócios Estrangeiros, Philip Hammond, elogiou o discurso de Hilary Benn, sublinhando que irá “ficar para sempre como um dos verdadeiros grandes discursos da Câmara dos Comuns.”

O ex-ministro dos Negócios Estrangeiros, William Hague, defendeu por sua vez que não deve ser excluída tamém a necessidade de recorrer a forças especiais no terreno. “Não devemos excluir o uso, talvez, de pequenas forças terrestres especializados no futuro, a partir de nações ocidentais, se isso ajudar a fazer pender a balança a favor da razão”, afirmou.

Por seu turno, o líder do Partido Trabalhista, Jeremy Corbin, criticou os ataques aéreos na Síria, sublinhando que irão causar também vítimas civis.

Paralelamente, enquanto decorria o debate parlamentar, cerca de 5 mil manifestantes protestaram nas ruas da capital contra os bombardeamentos na Síria.