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Myanmar. Suu Kyi em conversações para garantir “transição pacífica”

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Myawaddy / Reuters

A Prémio Nobel da Paz, cujo partido venceu as eleições de novembro com maioria absoluta, encontrou-se em separado com o chefe das Forças Armadas e com o Presidente da antiga Birmânia

Aung San Suu Kyi, cujo partido venceu as primeiras eleições livres em Myanmar (antiga Birmânia) nos últimos 25 anos, e o chefe das Forças Armadas do país, Min Aung Hlaing, mantiveram esta quarta-feira um encontro privado que durou mais de uma hora, mas sobre o qual quase nada foi adiantado. À saída da reunião, simbólica, o general Hlaing limitou-se a sorrir, garantindo: “Tivemos várias conversas muito agradáveis”.

O apoio militar é considerado essencial para que o poder mude de mãos em Myanmar de forma serena. Durante mais de duas décadas, os militares perseguiram Aung San Suu Kyi, prémio Nobel da Paz em 1991, e o seu partido, a Liga Nacional pela Democracia (NLD), depois de este ter vencido as eleições de 1990, algo que não foi respeitado. Os dois lados têm agora de trabalhar em conjunto, já que à NLD compete formar Governo, mas sob a alçada military continuarão a ficar pastas importantes, como a Defesa e a Política Externa, tal como previsto na constituição.

Aung San Suu Kyi discutiu também com o Presidente Thein Sein a transferência do poder para o novo governo, concordando ambos numa “transição pacífica”. “Conversaram sobre a maneira de transferir ao novo governo o poder de maneira pacífica. Entre as duas partes, as negociações foram calorosas e abertas”, disse Ye Htut, porta-voz do Presidente. “Desde nossa independência em 1948, nunca tivemos uma transição política pacífica”, recordou.

Em Myanmar, o sistema político, herdado do tempo da junta militar, estabelece um longo período entre as eleições legislativas e a posse do novo executivo. Assim, Thein Sein prosseguirá como Presidente até março de 2016, já que o novo Parlamento, que definirá o seu sucessor, só iniciará o mandato em fevereiro.

Para não irritar os rivais e facilitar este processo, Aung San Suu Kyi - que não comentou qualquer dos encontros mantidos esta quarta-feira – optou por não realizar qualquer comício para assinalar a vitória de seu partido, apesar de ter vencido com quase 80% dos votos.

Desde então, nas suas declarações tem pedido sempre negociações com vista a que seja alcançada uma “reconciliação nacional”.

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