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Cimeira do clima: depois dos discursos e desfiles, maratona de negociações concretas

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CHRISTIAN HARTMANN / REUTERS

Findo o desfile de 150 chefes de Estado e de Governo na COP21, que incluiu alguns minutos de obrigatório recolhimento de todos eles em frente à sala de espetáculos parisiense Le Bataclan, onde foram assassinadas 90 pessoas a 13 de novembro, a conferência sobre o clima prossegue nos arredores de Paris. “Plano para África” avança

Os chefes de Estado e de Governo africanos foram os últimos grandes dirigentes do mundo a partir de Paris. Esta terça-feira ainda participaram numa pequena cimeira com o Presidente francês François Hollande, no imenso complexo de Le Bourget, a norte da capital francesa, onde decorre a grande conferência da ONU sobre as mudanças climáticas (COP21).

Antes de saírem de Paris, esta manhã também passaram, tal como todos os seus homólogos, pelo Le Bataclan, para homenagearem as vítimas do terrorismo e manifestarem solidariedade à França, país que continua em estado de emergência antiatentados.

Na COP21, os africanos ouviram com agrado François Hollande prometer que será necessário encarar a “dívida ecológica” do mundo em relação ao continente negro. Hollande quase duplicou as ajudas francesas para as energias renováveis em África. Será agora de 2000 milhões de euros até 2020. “A França quer dar o exemplo, e não apoia simplesmente as forças militares africanas no Mali ou na República Centro-africana”, explicou o chefe do Estado francês.

Nesta cimeira específica falou-se igualmente de terrorismo, ligando-o ao clima. Por exemplo, Mahamadou Issoufou, Presidente do Níger, sublinhou a “estreita ligação entre a seca que atinge o lago Chade e o terrorismo na região”, com o movimento Boko Haram. Pelo seu lado, Idriss Déby, Presidente do Chade, evocou o desaparecimento progressivo deste lago e afirmou que essa é uma das “maiores causas de desestabilização da região”.

Na COP21 ouve-se falar com grande insistência na necessidade de solidariedade e de apoio dos países mais ricos a África, um continente que apenas é responsável por 4% das emissões com gases com efeito de estufa mas que é o que mais sofre com as consequências do aquecimento global.

Para travar a desertificação são necessários, por exemplo, financiamentos importantes para continuar a construir a chamada “Grande Muralha Verde”, do Senegal até Jibuti, ou para valorizar o rio Níger.

Os africanos querem financiamentos também para as transferências de tecnologia, designadamente para construir redes elétricas verdes em todo o continente, onde dois terços das populações não têm acesso à energia.

Na COP21 participam 54 países africanos. No total, estão representados nas negociações, que realmente apenas começaram esta terça-feira, 196 países e centenas de representantes de organizações não-governamentais com o objetivo de limitar a dois graus Celsius o aquecimento do planeta.

Um dos dossiês onde se esperam mais avanços será o da chamada “Aliança Internacional para a Energia Solar”, destinado a promover este tipo de energia nos países em desenvolvimento.

Os dois países mais poluidores do globo, China e Estados Unidos, prometeram solenemente pela voz dos respetivos Presidentes reduzir as emissões de gases com efeito de estufa e contribuir financeiramente para ajudar os mais pobres a acederem a “tecnologias limpas” e para os apoiar no combate aos efeitos do aquecimento global.

A conferência COP21 termina no próximo dia 11.