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Debate eleitoral em Espanha: eu é que sou a melhor alternativa

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O debate entre os três líderes, (da esq para a dir) Pedro Sánchez, Albert Rivera e Pablo Iglesias, durou quase duas horas

JUAN MEDINA

Com a ausência do atual primeiro-ministro e líder do PP Mariano Rajoy, os homens de proa do PSOE, do Ciudadanos e do Podemos apresentaram as suas propostas e visões para o país, num debate que pôde ser seguido online. Pablo Iglesias saiu vencedor entre os internautas

Foi, segundo o jornal “El País”, um debate “com propostas, vivo, ágil”, onde Pedro Sánchez (PSOE), Albert Rivera (Ciudadanos) e Pablo Iglesias (Podemos), três dos candidatos à presidência do próximo Governo espanhol, “consolidaram as suas posições”, esforçando-se por explicar porque são a verdadeira alternativa nas legislativas de 20 de dezembro. Um quarto lugar ficou vazio no debate realizado na noite desta segunda-feira e que pôde ser seguido via internet, depois de o primeiro-ministro e líder do PP Mariano Rajoy ter recusado participar no encontro promovido pelo “El País”.

Ao longo das quase duas horas que durou a discussão eleitoral - com momentos de bom humor, passagens mais tensas, mas num estilo renovado que incluiu um tratamento mais próximo entre os candidatos -, Pedro Sánchez fez questão de se apresentar como o líder do partido que mais anos governou em Espanha, reclamando para o PSOE a conquista do “Estado do bem-estar”.

Sánchez e Iglesias coincidiram na tentativa de encostar o candidato do Ciudadanos à direita, harmonia esta que se perdeu quando o representante do Podemos insistiu em sublinhar a presença de ex-nomes sonantes do PSOE em conselhos de administração de grandes empresas. Na estratégia de combate ao PS espanhol, Podemos e Ciudadanos alinharam em considerá-lo “igual ao PP”, partido atualmente no poder.

Quanto às propostas apresentadas, o combate ao terrorismo e a possibilidade de Espanha intervir no conflito na Síria e na Líbia foi motivo de divisão, com Sánchez e Rivera a alinharem na necessidade de apoiar França e Iglesias a considerar, pelo seu lado, que os bombardeamentos de nada serviram no Afeganistão, Síria, Iémen ou Iraque, pelo que o seu compromisso foi o de realizar um referendo antes de atuar.

Do ponto de vista económico, o PSOE apontou como prioridade a modernização de Espanha, a defesa do Estado social e as reformas laborais. Pelo Podemos, Iglesias colocou os enfoques na luta contra a fraude fiscal, a descida do IVA, impostos e transações financeiras, e a renovação do modelo produtivo, com o recurso a energias limpas e renováveis.

Os três líderes mostraram-se de acordo em relação à necessidade de um grande pacto na Educação e de um plano com vista ao regresso dos jovens que saíram do país

A três semanas das eleições, PP, PSOE e Ciudadanos lideram as intenções de voto, com o Podemos a aparecer nas sondagens em 4.º lugar.

Na avaliação dos internautas após o debate do “El País”, a prestação mais moderada de Iglesias, em relação ao seu perfil habitual, parece ter resultado: 47% dos participantes consideraram que foi ele o vencedor da noite.

Em matéria de debates, Mariano Rajoy apenas aceitou participar num encontro televisivo a dois, com o líder do PSOE. Na noite desta segunda-feira, à mesma hora do debate na internet, o primeiro-ministro deu uma entrevista à Telecinco, onde esclareceu: “Como sempre se fez em Espanha, só vou debater com o líder da oposição”.