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Reino Unido. Líder trabalhista deixa decisão de bombardear a Síria nas mãos dos deputados

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O líder dos trabalhistas pediu a Cameron que o debate sobre a intervenção na Síria se estenda por dois dias

SUZANNE PLUNKETT

Divulgados os resultados de uma controversa sondagem que revela que 75% dos membros do Partido Trabalhista serão contrários a uma intervenção militar britânica contra a Síria, Jeremy Corbyn opõe-se oficialmente contra a vontade de David Cameron mas dá liberdade de voto aos seus deputados

O Partido Trabalhista britânico, liderado por Jeremy Corbyn, parece cada vez mais dividido em relação a uma eventual intervenção militar da Grã-Bretanha na Síria para atacar posições do autoproclamado Estado Islâmico (Daesh). De acordo com informações avançadas pelo jornal britânico “The Telegraph”, embora a posição oficial do partido seja contrária a uma intervenção militar, Corbyn vai optar por dar liberdade de voto aos deputados trabalhistas neste tema.

A novidade parece chegar para enterrar o machado de guerra e atenuar as divisões no seio do partido, uma vez que inicialmente Corbyn planeava fazer todo o partido votar contra a intervenção militar na Síria. No entanto, conforme as informações avançadas pelo “The Telegraph”, dois terços dos membros do próprio gabinete de Corbyn serão favoráveis à intervenção.

O mesmo jornal noticia que o novo líder trabalhista terá telefonado ao primeiro-ministro David Cameron, pedindo-lhe para adiar a votação, que estaria agendada para esta quarta-feira. Para mais, Corbyn enviou uma carta ao seu rival, na qual afirma ainda não ter recebido “uma proposta clara do Governo sobre quando este está a planear fazer passar uma moção sobre os bombardeamentos na Síria ou sobre detalhes do debate”.

Na mesma missiva, o líder da oposição propõe que o assunto seja discutido num “debate de dois dias”, justificando que “num tema de tanta importância deve haver todo o tempo para que a questão seja debatida”.

Esta segunda-feira, o líder do Partido Trabalhista chamou as atenções depois de ter sido divulgada uma sondagem que revelava que 75% dos membros do partidos seriam contrários à intervenção militar na Síria. As vozes críticas de Corbyn dentro do partido não tardaram em reagir, duvidando da veracidade e da integridade dos resultados e sugerindo que estes poderiam estar a ser usados como como forma de pressão aos deputados do partido.

Cameron insiste: “Se não for agora, será quando?”

O primeiro-ministro britânico tem defendido que o país deve intervir militarmente na Síria, juntando-se aos Estados Unidos, Rússia e França nos bombardeamentos a posições do Daesh.

Depois de ter reforçado esta posição numa conferência de imprensa conjunta com o Presidente francês François Hollande, em visita à capital francesa no final da semana passada, Cameron voltou a insistir. O governante britânico usou um comunicado para pedir aos deputados para apoiarem os bombardeamentos, argumentando que “a ameaça do Daesh é uma das maiores à nossa segurança”. E logo questionando: “Se não for agora, será quando?”.