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Presidente turco demite-se se for provado que a Turquia compra petróleo a terroristas

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CHRISTIAN HARTMANN/ Reuters

Putin lançou suspeitas, Erdogan reage. Depois do abate de um avião russo pela Turquia, a tensão entre os dois países mantém-se

O Presidente turco prometeu hoje demitir-se caso se confirme a acusação de que a Turquia abateu um avião da Rússia para proteger o envio para solo turco de petróleo do grupo extremista Estado Islâmico.

A Rússia acusou a Turquia de ter abatido o seu avião na fronteira com a Síria para proteger o grupo extremista Estado Islâmico e exigiu um pedido de desculpas formal.

"É imoral acusar a Turquia de comprar petróleo ao Daesh (acrónimo em áreabe para o Estado Islâmico). Se há documentos, deveriam mostrá-los, que os vejamos. Se os mostrarem, não continuarei no cargo", disse Recep Tayyip Erdogan, questionando Vladimir Putin sobre se se demitirá caso esteja a mentir.

Falando em Paris, em conferência de imprensa, o Presidente turco salientou que os países a quem a Turquia compra petróleo "são conhecidos".
"Um que compra petróleo ao Daesh é um cidadão russo e sírio, George Haswani, como denunciou o Ministério das Finanças norte-americano", recordou Erdogan.

"Até hoje trabalhamos por vias legais. Não somos tão indignos para comprar algo a uma organização terrorista", rematou o chefe de Estado turco, que se encontra em Paris a participar na Cimeira da ONU sobre o Clima.

O Presidente russo, Vladimir Putin, acusou hoje o Governo de Ancara de abater um avião militar russo na passada semana para proteger o fornecimento de petróleo pelo grupo extremista Estado Islâmico à Turquia, niticiou a agência France Presse (AFP).

"Temos todas as razões para acreditar que a decisão de abater o nosso avião foi ditada pelo desejo de proteger a rede de abastecimento de petróleo para o território turco, em direção aos portos onde é carregado para os petroleiros", disse Putin durante uma conferência de imprensa à margem da conferência do clima das Nações Unidas que decorre nos arredores de Paris.

O Presidente russo afirmou ter "informações adicionais que, infelizmente, confirmam que o petróleo, produzido em áreas controladas pelo Estado Islâmico e outras organizações terroristas, é transportado numa escala industrial para a Turquia".

Na sequência do incidente que abateu um avião militar russo junto à fronteira da Síria com a Turquia, Putin acusou os turcos de serem "cúmplices de terroristas".

Os lucros da venda de petróleo são uma das principais fontes de financiamento do Estado Islâmico, que controla vastas zonas do Iraque e da Síria.

O Presidente russo disse ainda que vários dos seus homólogos, com os quais conversou durante a conferência climática, manifestaram a sua concordância com a ideia de que "não era necessário" que a Turquia tivesse abatido o avião russo.

O chefe de Estado da Rússia afirmou que o plano para formar uma coligação internacional para combater o Estado Islâmico -- criado na sequência da queda de um avião comercial russo atingido por uma bomba e dos ataques terroristas de Paris reivindicados por aquele grupo extremista (EI) -- foi seriamente ameaçado pela ação turca.

A constituição de uma coligação teve poucos progressos, sobretudo porque as grandes potências internacionais não estão de acordo sobre qual deve ser o papel dado ao Presidente sírio, Bashar al-Assad.

"Iremos sempre apoiar [a ideia de uma grande coligação], mas não chegaremos lá enquanto algumas pessoas usarem grupos terroristas para servir interesses políticos de curto-prazo", afirmou Putin.