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Angola: 80 mil portugueses têm salários em atraso

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O preço do barril de petróleo tem vindo a cair desde o verão de 2014

DARRIN ZAMMIT LUPI / Reuters

40% dos trabalhadores portugueses do setor da construção não recebem salários há mais de dois meses. A culpa, confirmam os sindicatos, é da crise petrolífera

“Há muitos trabalhadores que querem regressar a Portugal e nem dinheiro para o bilhete de avião têm”. O alerta refere-se aos trabalhadores portugueses do sector da construção que estão em Angola e é dado por Albano Ribeiro, presidente do Sindicato da Construção Civil, à edição desta segunda-feira do “Jornal de Notícias”.

De acordo com as informações avançadas ao mesmo jornal por aquele sindicato, são cerca de 200 mil os portugueses que trabalham no sector da construção em Angola e destes, 80 mil têm “dois a seis meses de salários em atraso”. Albano Ribeiro confirma mesmo que, dada a situação, é provável que mil destes trabalhadores vão passar o Natal a casa e já não regressem a Angola.

Os motivos desta crise são confirmados ao “Jornal de Notícias” por Reis Campos, presidente da Confederação Portuguesa da Construção e do Imobiliário, que lembra que o orçamento angolano foi feito com base no preço de então do barril de petróleo, 81 dólares (76,5 euros). No entanto, desde essa altura registou-se uma quebra significativa do valor do barril, que se situa agora nos 47 dólares (44 euros). De acordo com Reis Campos, “o mais grave é o arrastar desta crise no tempo, com o desgaste que isso causa às empresas e aos seus trabalhadores”.

Albano Ribeiro adianta ainda que muitas famílias portuguesas em Angola “atravessam situações muito complicadas” e já pediram ajuda ao sindicato. O líder sindical explica que a maioria dos salários em atraso deve-se a “angariadores de mão de obra que, quando a crise se agudizou, desapareceram de cena”: “As grandes empresas apostaram em novos mercados, seja em África, seja na Europa, e estão a deslocalizar para lá os trabalhadores que tinham em Angola”, conta.

Exportações portuguesas para Angola já caíram 30% este ano

Portugal é o segundo país com maior presença no mercado da construção em África. Dos 5,3 mil milhões de euros que as construtoras nacionais faturam nos mercados internacionais, dois mil milhões (38%) vêm dos negócios em Angola.

De acordo com números divulgados pelo Instituto Nacional de Estatística no início deste mês, as exportações portuguesas para Angola terão caído em 30% de janeiro a setembro deste ano, em consequência da descida do preço do petróleo. No total, as exportações de Portugal para Angola caíram para 1.590 milhões de euros, ao passo que as importações desceram 21,2%, para 942 milhões de euros.