Siga-nos

Perfil

Expresso

Internacional

UE disponibiliza 3 mil milhões de euros à Turquia para gerir fluxo de refugiados

  • 333

O primeiro-ministro turco e Donald Tusk, presidente do Conselho Europeu, cumprimentam-se.

YVES HERMAN/REUTERS

Os líderes da União Europeia que participaram na cimeira em Bruxelas discutiram também a possibilidade de ser retomado o diálogo sobre o processo de adesão da Turquia à UE

Helena Bento

Jornalista

A União Europeia vai disponibilizar uma verba de três milhões de euros à Turquia para ajudar o país a gerir os fluxos de refugiados oriundos da Síria, anunciou este domingo em Bruxelas Jean-Claude Juncker, líder do executivo comunitário. Em troca, haverá contrapartidas financeiras e políticas para a Turquia, como a obrigação de reforçar o controlo das suas fronteiras.

Além do tema da migração, os líderes dos 28 países membros da UE presentes na cimeira em Bruxelas discutiram também a possibilidade de ser retomado o diálogo sobre o processo de adesão da Turquia à União Europeia.

Ahmet Davutoglu, primeiro-ministro turco, fez questão de deixar claro que a reunião não servia apenas para falar sobre migração e refugiados, mas também sobre a "'reenergização' do grande ideal de unir a UE ao potencial turco", refere a AFP. Ahmet Davutoglu falou em "dia histórico" e agradeceu aos líderes europeus por este "novo começo". "Trago uma mensagem clara de Ancara: somos uma nação europeia", disse.

Sobre esse assunto, o presidente do Conselho Europeu, Donald Tusk, salientou que "o quadro negocial continua a aplicar-se, incluindo o respeito pelos valores europeus e também pelos direitos humanos", refere a agência Lusa.

De fora, ficaram temas como os direitos humanos e as críticas à falta de liberdade de expressão e de imprensa, que marcaram a semana na Turquia. Na quinta-feira , dois jornalistas do diário turco "Cumhuriyet" foram detidos pela polícia turca, acusados de espionagem e de terrorismo. Can Dündar e Erdem Gül foram responsabilizados pela publicação de um artigo em que foi revelado o envolvimento de membros da Agência de Inteligência Nacional (AIN), os serviços secretos turcos, no envio de armamento para grupos rebeldes sírios.

E no sábado, Tahir Elci, famoso advogado e ativista pelos direitos curdos, que vinha sendo alvo de muitas críticas na Turquia e preparava-se para ser julgado em tribunal por causa das suas declarações polémicas envolvendo o Partido dos Trabalhadores do Curdistão (PKK), foi atingido mortalmente por uma bala depois de participar numa conferência em Diyarbakir, a grande cidade de maioria curda no sudeste da Turquia.

Na cimeira deste domingo decidiu-se também que devem ser mantidas discussões regulares, havendo ainda a intenção de reforçar a cooperação sobre política externa e de segurança, incluindo o combate ao terrorismo, refere a Lusa.