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Presos um senador federal e um dos principais banqueiros do Brasil

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Nestor Cerveró, ex-diretor da petrolífera estatal Petrobrás que foi condenado a 12 anos de cadeia por corrupção

EVARISTO SA/GETTY IMAGES

Terão tentado organizar a fuga de um imputado por corrupção no escândalo Lava Jato

Luís M. Faria

Jornalista

Um senador e um dos maiores banqueiros brasileiros foram presos esta semana no âmbito do escândalo Lava Jato. São acusados de obstrução à justiça. Os dois, juntamente com um advogado igualmente detido, terão tentado obter o silêncio de Nestor Cerveró, um ex-diretor da petrolífera estatal Petrobrás que foi condenado a 12 anos de cadeia por corrupção em agosto passado. Cerveró estava em vias de fazer um acordo com a acusação para lhe reduzirem a pena – a troco de falar, levaria menos do que os 40 anos de cadeia que arriscava – mas foi-lhe oferecida a alternativa de fugir para Espanha, ficando a receber uma elevada renda por mês.

As combinações, parte das quais foram captadas numa gravação e agora divulgadas, envolveram Delcídio do Amaral, um veterano senador do Partido dos Trabalhadores, o filho de Cerveró (que efetuou a gravação e a entregou aos procuradores), o seu chefe de gabinete e o seu advogado, e ainda o banqueiro André Esteves, CEO e acionista principal do BTG Pactual SA. Este banco participou em vários dos negócios agora investigados, nos quais políticos e outras pessoas se atribuíam enormes comissões quando faziam contratos entre a Petrobrás a outras empresas. Só num desses contratos, para a construção de uma plataforma, a comissão seria de dezenas de milhões.

Segundo a proposta de Amaral, Cerveró seguiria para o Paraguai e depois para Espanha, usando um avião privado de luxo que não precisa de ser reabastecido. Esteves, considerado um dos homens mais ricos do Brasil, ficaria a pagar-lhe uma renda mensal de 50 mil reais (12550 euros), bem como outra à sua família. A ser verdade, confirma o nível das cumplicidades num escândalo que tem mostrado o que a corrupção custa ao Brasil, onde se diz que não há obra pública que não seja sobrefaturada.

O Lava Jato continua a fazer tremer o sistema político brasileiro. Nunca antes foi preso um senador federal em exercício, ainda por cima líder do partido do Governo. É mais uma barreira tombada num caso que ameaça crescentemente a posição de Dilma Roussef, Presidente do país. Vários comentadores dizem que o pico está para vir.

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