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COP21. “A História jamais viu e não verá jamais uma coisa destas”

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STEPHANE MAHE/REUTERS

A Conferência mundial sobre o clima começa esta segunda-feira, em Paris, com segurança máxima. 150 chefes de Estado e de Governo são esperados na capital francesa. “Uma coisa nunca vista”, diz Ségolène Royal, ministra francesa da Ecologia

Voluntarista e otimista, Ségolène Royal, anda de reunião em reunião, em encontros quase permanentes, e aposta forte no sucesso da grande Conferência da ONU sobre as mudanças climáticas (COP21).

“Estamos a fazer tudo para chegar a um acordo universal com regras obrigatórias para limitar a dois graus centígrados o aquecimento global e dessa forma salvar a vida futura no planeta”, diz a ministra francesa da Ecologia, do Desenvolvimento Durável e da Energia.

“A História jamais viu e sem dúvida nunca mais verá uma coisa destas, 150 chefes de Estado e de Governo reunidos no mesmo momento, no mesmo local, para discutir o mesmo assunto”, acrescenta Ségolèn Royal.

Depois dos atentados terroristas em Paris, há pouco mais de duas semanas, a reunião decorre num clima especial e em segurança máxima. De facto, é a primeira vez que uma reunião mundial gigantesca deste género – 40 mil participantes – decorre num país em estado de emergência.

Toda a França, fronteiras terrestres incluídas, está em alerta com a mobilização em permanência de mais de 120 mil policiais e militares. Mais de 20 mil agentes franceses e internacionais estão diretamente ligados à segurança da Conferência, que decorre em Le Bourget, nos arredores da capital francesa, até 11 de novembro.

Devido ao estado de alerta máximo, foram proibidas manifestações em Paris e alguns ecologistas conotados com setores radicais colocados sob estreita vigilância, alguns mesmo em regime de residência fixa, o que chocou alguns movimentos verdes franceses e internacionais.

“Estão a tratar-nos como se fossemos terroristas!”, exclamou um ecologista, neste domingo, em Paris. Apesar das medidas extremas de segurança, verificaram-se confrontos violentos neste domingo à tarde entre algumas centenas de manifestantes e as forças da ordem na praça da República, em Paris, onde foram detidos cinco dezenas de jovens.

No total estarão representados na COP21 perto de 200 países. As negociações para chegar a um acordo, que a França deseja obrigatório, decorrerão até 11 de novembro. A imposição de regras obrigatórias para diminuir as emissões de gases com efeito de estufa é um dos pontos de divergência porque muitos dos países participantes hesitam, para já, em assinar um tratado internacional com sanções contra quem o violar.

Outros dos pontos principais que estarão no centro das negociações durante a COP21 tem a ver com muito dinheiro - o financiamento das energias renováveis e da transferência de tecnologias “limpas” para os países do Sul. A definição do ritmo de diminuição das emissões de gases com efeito de estufa também é um dos pontos onde ainda não existe acordo.

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