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Famoso advogado curdo atingido mortalmente na Turquia

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CEM TURKEL/EPA

Tahir Elci foi atingido mortalmente por uma bala depois de participar numa conferência em Diyarbakir. O advogado e ativista vinha sendo alvo de muitas críticas na Turquia por defender que o PKK não é uma organização terrorista e preparava-se para ser julgado em tribunal por causa das suas declarações polémicas

Helena Bento

Jornalista

Tahir Elci, advogado e ativista pelos direitos dos curdos, foi atingido mortalmente por uma bala este sábado em Diyarbakir, a grande cidade de maioria curda no sudeste da Turquia.

Tahir Elci e outros ativistas participavam numa conferência quando começaram a ouvir-se tiros perto do local onde estavam, tendo o advogado sido apanhado no meio dos disparos. Segundo a Reuters, morreram também dois polícias e um jornalista.

O ministro do Interior, Edkan Alan, disse que se tratou de um ataque contra a polícia (e contra a Turquia, contra "a sua paz e a sua harmonia", como viria a afirmar depois), e que Tahir Elci foi atingido por uma bala perdida. A mesma versão foi apresentada por Ahmet Davutogly, primeiro-ministro turco.

Fonte da associação a que o advogado e ativista presidia, sediada em Diyarbakir, afirmou que ele era, de facto, o alvo do ataque. Também o partido pró-curdo HDP (Partido Democrático do Povo) não tem dúvidas de que se tratou de um "assassínio planeado" e pediu aos curdos para saírem à rua em protestos.

Tahir Elci vinha sendo alvo de muitas críticas na Turquia por defender que o PKK (Partido dos Trabalhadores do Curdistão) não é uma organização terrorista, de acordo com a classificação imposta pelo Governo turco.

O advogado e ativista preparava-se para ser julgado em tribunal por causa das suas declarações polémicas. Sobre o incidente em Diyarbakir, que lhe tirou a vida, o Presidente turco Tayyip Erdogan disse que a Turquia estava certa "na sua determinação de combater o terrorismo". Depois do sucedido, muitas centenas de pessoas ocuparam as ruas de Istambul como forma de protesto e a polícia recorreu a gás pimenta e canhões de água para fazer dispersar a multidão, refere a agência Reuters.

Centenas de pessoas foram mortas desde que terminou a trégua entre o PKK e o Governo turco, que vigorava desde 2013. O primeiro golpe deu-se em julho deste ano, depois de um ataque suicida dos combatentes do autoproclamado Estado Islâmico em Suruç, cidade turca junto à fronteira com a Síria, que resultou na morte de 32 pessoas.

Na altura, as forças curdas acusaram o Governo da Turquia de não fazer nada para proteger as populações dos ataques dos jiadistas, e pouco tempo depois mataram dois polícias turcos em Sanliurfa, cidade de maioria curda, perto de Suruç.