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Terrorismo. O dia em que os parisienses não penduraram as bandeiras às janelas

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YOAN VALAT

Em dia de homenagem nacional às vítimas dos atentados terroristas, o Presidente François Hollande tinha apelado a que os franceses ostentassem a bandeira nacional às janelas dos seus apartamentos. Foi um fiasco

As televisões e os jornais franceses, e mesmo as Televisões internacionais, foram simpáticas com o Presidente François Hollande. O momento, neste dia de homenagem nacional às vítimas (130 mortos, 350 feridos) dos atentados da passada sexta-feira, 13, era solene (ler reportagem relacionada).

A maioria dos repórteres disse que os parisienses tinham aderido ao pedido do chefe do Estado para que eles exibissem à janela, neste dia de dor nacional partilhada contra o horror terrorista, a bandeira tricolor.

Mas não é verdade. Hoje, quase não se viram bandeiras nem às janelas nem nas varandas dos apartamentos dos cidadãos parisienses, como constatou o Expresso em vários locais da cidade e designadamente no bairro número 11 de Paris, no quarteirão (Bataclan), onde se verificaram os mais violentos atentados, no passado dia 13.

O mesmo aconteceu noutros bairros de Paris. No centro, por exemplo, via-se apenas uma bandeira nacional aqui e além. Nas Boulevards Voltaire e Richard Lenoir, muito conhecidas depois dos sangrentos atentados que aí se verificaram em janeiro e em novembro, apenas se descortinava uma bandeira tricolor a mais de 100 a 200metros uma da outra. O mesmo se verificava na avenida Magenta ou na zona da Praça de Itália.

Os repórteres das televisões fizeram diretos junto de edifícios do Estado, filmaram fachadas de Câmaras ou autocarros das linhas do serviço público - todos eles engalanados obrigatoriamente com a bandeira azul, branca e vermelha, para a ocasião - ou filmaram praças, como a da República, onde as homenagens às vítimas com velas, mensagens e pequenas bandeiras francesas, fazem parte do quotidiano desde os atentados há quinze dias.

Mas, na realidade, não havia bandeiras nos apartamentos parisienses neste dia de dor, de solidariedade e de comemoração solene em memória das vítimas.

“Nós estamos com a dor das famílias das vítimas, somos contra os terroristas, claro, mas não é tradição francesa pormos as bandeiras às portas e janelas nestas ocasiões, somos até patriotas, mas exibir assim a bandeira é mais uma coisa de extrema-direita, se tivéssemos ganho um campeonato do mundo de futebol púnhamos, como já o fizemos”, explicou ao Expresso um cliente do café Le Comptoir de Parmentier, junto à câmara do bairro número 11, no quarteirão de Paris mais martirizado pelos últimos atentados.