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Hollande. “Mataram em nome de uma causa louca e de um Deus traído”

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PHILIPPE WOJAZER / Reuters

Chefe do Estado francês presidiu esta sexta-feira em Paris a uma cerimónia de homenagem nacional aos 130 mortos dos atentados de 13 de novembro e prometeu “fazer tudo para destruir o exército dos fanáticos”

Duas semanas exatas depois dos atentados terroristas em Paris (130 mortos, 350 feridos), a França prestou esta sexta-feira uma sentida homenagem nacional às vitimas na “cour d’honneur” dos Inválidos, na capital francesa.

A cerimónia foi marcada por um discurso do Presidente François Hollande e, sobretudo, pela audição pausada e solene de cada um dos nomes dos 130 mortos. Foi dito o nome de cada vítima mortal, acompanhado pela respetiva idade. A larga maioria dos mortos tinha menos de 40 anos.

No início da cerimónia, os presentes – personalidades políticas e militares e familiares das vítimas - ouviram em pesado silêncio interpretações de “Quando on n’a que l’amour”, de Jacques Brel e de “Perlimpimpin”, de Barbara.

No seu discurso, François Hollande acentuou bem esta frase: “Prometo-vos solenemente que a França fará tudo para destruir o exército dos fanáticos”.

Noutra passagem, menos guerreira, disse que os assassinos atacaram a festa, a “art de vivre” francesa, a música, acrescentando: “Para lhes responder, vamos multiplicar os concertos e os espetáculos, a França continuará a ser a mesma”.

Realçando que eles mataram “em nome de uma causa louca e de um Deus traído”, o Presidente francês prometeu a guerra à guerra declarada à França pelo autodenominado Estado Islâmico (Daesh), mas disse que o seu país respeitará o direito e a democracia. “Eles querem dividir-nos, pôr-nos uns contra os outros, mas não conseguirão (…) A França guarda intactos os seus princípios de esperança e de tolerância”.

No seu discurso lembrou que morreram também em Paris pessoas provenientes de 17 países. Dois deles eram portugueses, Precilia Correia, 35 anos, e Manuel Colaço Dias, 62 anos.

Apesar da solenidade da homenagem e do desejo do Presidente de acentuar a união dos franceses, alguns familiares das vítimas recusaram o convite para assistirem à cerimónia oficial. Uns por pudor e dor e outros por discordarem dela.

Um destes últimos disse ter recusado por “não terem sido tomadas decisões fortes” depois dos atentados de janeiro contra o semanário “Charlie Hebdo”.