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Refugiados. Homens solteiros não serão prioridade para o Canadá

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O ministro do Interior canadiano anunciou as novas medidas numa conferência de imprensa que aconteceu esta terça-feira

CHRIS WATTIE

O primeiro-ministro e o ministro do Interior canadianos anunciaram esta semana alterações ao plano de acolhimento de refugiados. O objetivo inicial de receber 25 mil pessoas em 2015 só deverá ser completado em fevereiro do próximo ano

Os homens solteiros que estiverem a sair da Síria ou de campos de refugiados para se apresentarem noutros destinos poderão partir para o Canadá mas o seu acolhimento não será prioritário. É que este país decidiu dar prioridade a famílias inteiras, mulheres e crianças que cheguem no âmbito do seu programa de acolhimento de refugiados, cujas alterações foram confirmadas esta terça-feira.

As novas medidas, aplicáveis a partir de 1 de dezembro, vão mais longe. Isto porque o Canadá planeava receber 25 mil migrantes até ao fim deste ano, ou seja, mais de 700 pessoas teriam de chegar a território canadiano diariamente. No entanto, o primeiro-ministro Justin Trudeau acabou por confirmar, numa entrevista à estação televisiva CBC News, que este objetivo terá de ser adiado, devendo ser alcançado apenas em fevereiro do próximo ano.

Tanto o adiamento na receção de refugiados como a relutância relativa ao acolhimento de homens solteiros foram também confirmados numa conferência de imprensa protagonizada esta terça-feira pelo ministro canadiano da Imigração, John McCallum. Rejeitando que as promessas eleitorais de Trudeau tenham sido quebradas, o governante relembrou que “é preciso algum tempo” para poder garantir que “quem chega tem um teto e o apoio de que precisa”. “Ficamos felizes por demorar um pouco mais do que era suposto para trazer os nossos novos amigos para o país”, frisou.

Alguns refugiados estão “mais vulneráveis do que outros”

A justificação para as novas restrições também se encontra nas palavras do chefe do Governo da província canadiana do Quebec, Phillippe Couillard: “Todos os refugiados estão vulneráveis, mas alguns são mais vulneráveis do que outros”, disse esta semana, dando como exemplo o caso de “mulheres, famílias e pessoas que façam parte de minorias religiosas oprimidas”.

Igualmente um representante do Conselho Sírio e Canadiano, Faisal Alazem, reagiu às novas decisões. Em declarações a uma emissora de rádio, Alazem disse que o plano assenta num “compromisso”. “Não é o cenário ideal para proteger pessoas vulneráveis, mas acho que o que aconteceu em Paris [nos atentados de dia 13 de novembro] mudou muito a opinião pública”, esclareceu.

Durante a campanha que antecedeu as eleições em que saiu vencedor, no mês passado, Trudeau enfatizou a intenção de acolher refugiados no país. Os migrantes deverão chegar a Toronto e a Montreal vindos de campos da Turquia, Jordânia e Líbano e serão, numa primeira fase, instalados em bases militares, antes de poderem viajar livremente pelo país.