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Primeiro-ministro francês diz “não, não e não” à chegada de novos refugiados

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O primeiro-ministro francês sublinha que a opinião pública teme a chegada de jiadistas entre as próximas vagas de refugiados

CHARLES PLATIAU

Manuel Valls decidiu tomar uma posição dura sobre o acolhimento de novas vagas de refugiados. Segundo ele, a Europa já não tem capacidade para receber mais migrantes

“Não podemos aceitar mais refugiados na Europa, isso não é possível”. As palavras são do primeiro-ministro francês, Manuel Valls, que defende um controlo rígido das fronteiras dentro do Velho Continente numa entrevista concedida ao jornal alemão “Süddeutsche Zeitung” e publicada na edição desta quarta-feira.

Garantindo que os países europeus não estão em condições de acolher mais migrantes por já terem esgotado as suas capacidades nesse sentido, Valls argumenta que, se as fronteiras não forem controladas, “as pessoas vão dizer: basta, Europa!”. Para o primeiro-ministro francês, a solução para o atual conflito passa por medidas aplicadas no Médio Oriente e não em solo europeu.

O governante francês relembra que “não foi França quem lhes disse [aos refugiados] para virem para a Europa”, numa referência à decisão da chanceler alemã, Angela Merkel, que em setembro decidiu abrir as portas do país aos refugiados. No entanto, o chefe do Executivo daquele país classifica a posição de Merkel como “honrosa”.

Manuel Valls esclarece, na mesma entrevista, que já comunicou esta posição ao vice-chanceler alemão Sigmar Gabriel, a quem disse que França não tem capacidade para receber mais migrantes. E até vai mais longe: “Acham que Bélgica e França vão receber mais refugiados? Não, não e não. Para mim, as coisas são muito claras”.

Atentados reacendem polémica

A controvérsia sobre a chegada dos refugiados reacendeu-se com os atentados de 13 de novembro na capital francesa, com o medo de que por entre os migrantes cheguem jiadistas, uma vez que, como relembra Valls, “a opinião pública está consciente de que pelo menos dois dos terroristas de Paris entraram na Europa misturando-se com o resto dos refugiados”. Esta semana, a sessão plenária do Parlamento Europeu em Estrasburgo deverá ser dominada por estes temas.

A ONU condenou esta terça-feira as novas restrições à chegada de refugiados, que bloquearam a passagem a mil migrantes que se encontram na fronteira entre a Macedónia e a Grécia.