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O criminoso volta sempre ao local do crime

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Fotografia de Abdelhamid Abaaoud publicada numa revista do Daesh

REUTERS

O cérebro dos atentados regressou à cena do crime enquanto decorria o assalto ao Bataclan. E planeava mais um atentado suicida no bairro de La Défense para uns dias depois

Abdelhamid Abaaoud, líder operacional dos atentados, planeava mais um ataque suicida no bairro de La Défense para 18 ou 19 de novembro. A informação foi avançada pelo Procurador de Paris, durante uma conferência de imprensa sobre o decurso das investigações sobre os atentados de 13 de novembro que vitimaram pelo menos 130 pessoas.

François Molins acrescentou que o terrorista franco-belga, morto na semana passada, teria como cúmplice o “homem encontrado ao seu lado” no bairro de Saint-Denis. E que o plano consistia em “fazerem-se explodir na quarta-feira 18 ou na quinta-feira 19 em La Defense”. Durante o raide policial ao bairro de Saint-Denis foram encontrados dois coletes explosivos, que poderiam vir a servir para concretizar o ataque.

Abaaoud, também conhecido Abou Omar Soussi, regressou também à “cena do crime” enquanto os atentados já estavam em curso.

“Entre as 22h28 e as 00h28 de sexta-feira 13 de novembro, a presença de Abaaoud, foi confirmada, via elementos rádio, no 10º, 11º e 12º bairros de Paris, designadamente na proximidade do Bataclan”, acrescentou François Molins.

Jawad Bendaoud, o senhorio de Saint-Denis, foi colocado em prisão preventiva pois não podia ignorar que estava a alojar terroristas, acrescentou o Procurador.

Caça ao homem continua na Bélgica

Bruxelas regressou hoje, quarta-feira, a uma quase normalidade com as escolas e o metropolitano a reabrirem as portas. Mas, Salah Abdeslam, o terrorista francês mas a viver na Bélgica continua a monte, cinco dias depois das autoridades belgas terem decretado o alerta máximo para a região de Bruxelas.

A caça ao homem tem mais um protagonista desde esta manhã: Mohamed Abrini, identificado na companhia de Abdeslam dois dias antes dos atentados.

“Armado e perigoso” são os termos em que é descrito no mandado de captura internacional emitido hoje pela justiça belga para Abrini, suspeito de ser o motorista que transportou Abdeslam de regresso à Bélgica.

“Dois dias antes dos atentados de Paris, ou seja a 11 de novembro pelas 19h, Salah Abdeslam foi filmado na estação de serviço de Ressons (na auto-aestrada em direção a Paris), na companhia de uma pessoa identificada como Mohamed Abrini, nascido a 27 de dezembro de 1984. Este último estava ao volante do Renault Clio que serviu para cometer os atentados dois dias mais tarde”, esclarece o Tribunal Federal.

Identificado e vivo

Salah Abdeslam é o único vivo dos terroristas identificados e fichados pelos serviços de informações e que participaram nos atentados de Paris, no que é considerado um dos grandes falhanços dos serviços secretos europeus.

O seu irmão Brahim, que se fez explodir na esplanada do Comptoir Voltaire, tinha sido intercetado pelas autoridades turcas em janeiro quando tentava atingir a Síria e repatriado para a Bélgica. As autoridades turcas avisaram as congéneres belgas sobre as intenções deste homem de 31 anos, que feriu mais de duas dezenas de pessoas na sexta-feira 13 de novembro.

Abdelhamid Abaaoud, o alegado cérebro dos atentados, foi morto quarta-feira passada e era bem conhecido das autoridades policiais.

Um dos bombistas-suicidas do Bataclan, Ismail Mostefai, de 29 anos, tinha ficha na Direção de Segurança Interna francesa desde 2010. As autoridades turcas avisaram os franceses por duas vezes que ele estava em França, mas não tiveram qualquer resposta até 14 de novembro. O outro, Sami Amimour, de 28 anos, estava radicalizado desde 2010 e sujeito a apresentações semanais junto da polícia francesa. Pendia sobre ele um mandado de captura internacional que não o impediu de fugir para a Síria em setembro de 2013 e de ter regressado a França em meados de outubro deste ano.

Bilal Hadfi, de 20 anos, o mais novo dos bombistas-suicidas regressou à Europa depois de ter estado na Síria. Tinha registo policial na Bélgica, mas fez-se explodir nas imediações do Stade de France, em Paris.

  • Abdelhamid Abaaoud, o terrorista que se gabava de enganar as autoridades

    Aos 28 anos, Abdelhamid Abaaoud era considerado um dos terroristas belgas mais ativos do Estado Islâmico. Seguido pelas autoridades desde 2013 - devido à sua atividade nas redes sociais -, o presumível cérebro dos atentados em Paris vangloriava-se de ter fintado a polícia por diversas vezes em viagens entre a Bélgica e a Síria. A polícia francesa confirmou esta quinta-feira que Abaaoud morreu no raide de Saint-Denis, que decorreu quarta-feira