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Bruxelas. “Keep calm and carry on”

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OLIVIER HOSLET/EPA

Ao quinto dia de alerta máximo, as escolas voltaram a abrir e metade das estações de metro também voltaram a funcionar. A capital belga tenta recuperar a normalidade. Alerta de ameaça terrorista ainda está no nível máximo

“Keep calm and carry on”. A manchete do jornal belga “La Libre Belgique” é o sintomática de uma cidade que não desiste do estilo de vida. A mensagem – “Mantenham-se calmos e sigam em frente” – recorda o slogan imaginado para acalmar os britânicos no início da II Guerra Mundial.

Bruxelas não está em guerra mas a ameaça terrorista ao país é, desde sábado, considerada “séria e eminente”. A capital belga quase parou nos primeiros dois dias da semana, mas hoje sentiu-se que a cidade volta ao ritmo normal.

As escolas voltaram a abrir e metade das estações de metro também. Os dois acontecimento em conjunto foram fundamentais para dar um impulso ao regresso à rotina. Os pais com crianças pequenas puderam voltar ao trabalho e as linhas do metropolitano foram importantes para evitar o caos no trânsito. Houve engarrafamentos no acesso a Bruxelas, por causa de um camião atravessado na autoestrada... mas isso, é normal.

A rotunda de Schuman, junto à Comissão Europeia e ao Conselho voltou a estar cheia e agitada. A estação de metro que serve as instituições é uma das que está aberta e a funcionar. À espera que o sinal para peões permita atravessar a estrada à superfície, ouve-se as troca de comentários. O alerta máximo é tema de conversa e a ansiedade por uma capital segura também.

Tal como lembra o jornal belga é preciso “seguir em frente” e muitos bruxelenses têm-no repetido nos últimos dias. A preocupação, no entanto, continua e para garantir a segurança das escolas foram mobilizados 200 polícias federais. Os agentes estão em frente aos estabelecimento de ensino durante as horas de entrada e de saída dos alunos.

O número de efetivos disponíveis é, aliás, uma dos problemas levantados. A dificuldade em mobilizar mais dos 200 militares para assegurar o funcionamento do metropolitano levou a que apenas 35 das 69 estações de metro estivessem abertas.

Pedro Miguel Ramalho

Mas estará o perigo a passar? Quando será possível rever em baixa o nível de ameaça? As questões aguardam respostas das autoridades que continuam a investigar possíveis redes terroristas e do governo.

O jornal “L’Echo” traz na manchete de hoje a notícia de que no fim de semana as autoridades belgas “evitaram atentados previstos para Bruxelas”, graças a todas as buscas efectuadas. A publicação belga cita fontes das autoridades.

A informação, não foi no entanto confirmada pelo ministro do Interior, Jan Jambon, que remeteu para o ministério público federal. Já o canal público RTBF adianta diz que, de acordo com fontes próprias, “ainda não se pode falar de atentados evitados”.

Que impacto na economia?

O ministro da economia belga pediu um levantamento das consequências do nível de ameaça terrorista na Bélgica. As estatísticas ainda não existem, mas muitos comerciantes – sobretudo no centro de Bruxelas – queixam-se da falta de clientes locais e da diminuição de turistas.

Para Kris Peetrs, o mais importante é que a segurança seja garantida, ao mesmo tempo que espera que a vida económica regresse rapidamente ao ritmo normal. Os próximos dias serão fundamentais. A captura de Salah Abdeslam e de Mohamed Abrini poderá dar uma ajuda ao regresso rápido à normalidade.

  • Alerta máximo: Bruxelas tenta não falhar o Natal

    O metro e as escolas voltam a abrir amanhã. É grande a expectativa para saber se serão um contributo para o regresso “à normalidade”. No centro da capital belga, os comerciantes anseiam por mais movimento. O Mercado de Natal está à porta