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Internacional

“Cooperar” contra o terrorismo

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Hollande com Cameron no Eliseu, o primeiro de vários encontros para uma aliança contra os jiadistas

ERIC GAILLARD

O Presidente francês partiu para os Estados Unidos, parte do périplo para concertar esforços com uma série de países na luta contra o terrorismo

Cristina Peres

Cristina Peres

Jornalista de Internacional

François Hollande chega esta terça-feira aos Estados Unidos para um encontro com Barack Obama. Na véspera, o Presidente francês recebeu no Eliseu o primeiro-ministro britânico, David Cameron. Na quinta-feira, Hollande será recebido em Moscovo por Vladimir Putin e, até domingo, o chefe de Estado francês ter-se-á também reunido com os líderes da Alemanha, Itália, Canadá e China, mais os representantes da União Europeia, Donald Tusk, e das Nações Unidas, Ban Ki-moon.
Em cima da mesa destas conferências ao mais alto nível está a necessidade de acentuar a mobilização para o combate ao autodenominado Estado Islâmico. É por isso que Hollande diz ir a Washington para “tornar a cooperação o mais operacional possível”. França quer incitar os Estados Unidos - declara o Eliseu citado pelo diário “Le Monde” - em três frentes específicas: na intensificação dos ataques aos jiadistas, reforço das forças anti-Presidente Bashar al-Assad não aliadas do Daesh e um maior controlo dos fluxos financeiros que alimentam os islamitas radicais.
Segundo o mesmo jornal, a viagem aos Estados Unidos pretende antes de mais “um anúncio político” da unidade franco-americana sobre a questão central da saída definitiva de Al-Assad do poder na Síria. Daí que a aproximação de Hollande a Putin - o principal apoio de Al-Assad juntamente com o Irão - levante questões a Washington. Já o encontro com Vladimir Putin é prudentemente referido pelo Eliseu como tendo por objetivo “verificar em que medida a cooperação pode ser aumentada”.
“O Presidente François Hollande vem a Washington na terça-feira como um autodenonimado presidente em tempo de guerra, com o seu futuro político em causa”, escreve o “International New York Times” na primeira página da edição desta terça-feira. E acrescenta que o “impopular” Presidente tem tudo em jogo uma vez que tem eleições regionais no seu país dentro de duas semanas e presidenciais no próximo ano.

Obama prefere manter estratégia atual

Pelo seu lado, o Presidente norte-americano continua a manifestar-se relutante a “envolver mais profundamente” os militares americanos “no caos sírio”, preferindo apoiar os curdos e bombardear o Daesh sem interrupção, escreve o “International NYT”. De acordo com este jornal, está ao rubro o debate entre a Casa Branca, o Departamento de Estado e o Pentágono sobre o ponto a que os EUA devem envolver forças na batalha contra o Estado Islâmico, ou Daesh.
Até agora, o Governo francês tem tido o cuidado de não mencionar termos como “coligação” ou “aliança” preferindo usar a palavra que Barack Obama emprega para descrever o modo como os EUA e a Rússia agem em tono da questão síria - “coordenação”, lembra o diário norte-americano.
Ao mesmo tempo, França tem intensificado as buscas aos autores dos ataques ou suspeitos de terrorismo, fazendo aumentar os receios de compromisso das liberdades dos cidadãos.