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A jiadista 'cowgirl': Gostava de vodka, charros e fotos ousadas no Facebook

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Hasna Aitboulahcen foi morta durante a operação policial num apartamento em Saint-Denis. Era prima do cérebro dos ataques em Paris. A jovem francesa, de 26 anos, não era uma muçulmana devota, tinha até um estilo de vida rebelde. Mas tudo mudou no espaço de um mês

“Ela nunca se interessou pela religião. Nunca a vi a abrir o Corão”, diz Youssouf Aitboulahcen, irmão de Hasna Aitboulahcen, a jiadista que morreu na quarta-feira durante um assalto da polícia a um apartamento em Saint-Denis, nos subúrbios de Paris. O objetivo da operação era encontrar Abdelhamid Abaaoud, o autor moral dos atentados de Paris, que acabou também por ser abatido pelas autoridades.

No início acreditava-se que Hasna seria a primeira bombista suicida a morrer na Europa, o que foi desmentido mais tarde. Afinal, o kamikaze era um homem. A jovem francesa teria morrido na sequência dos tiros das autoridades.

Mas quem era esta Hasna Aitboulahcen? O irmão diz que era uma jovem rebelde como tantas outras, que adorava divertir-se e passar o tempo nas redes sociais. "Ela passava o tempo a criticar tudo. Vivia no seu mundo próprio. Estava quase sempre no telemóvel, a olhar para o Facebook ou o WhatsApp", conta Youssouf Aitboulahcen, citado pelo jornal “Telegraph”.

Nascida em Paris em 1989, Hasna Aitboulahcen teve uma infância difícil passada em grande parte em centros de acolhimento. Viveu durante uns tempos com a mãe marroquina em Aulnay-sous-Bois e desde há três semanas dividia um apartamento com uma amiga.

Colegas e amigos descrevem Hasna como uma jovem divertida e extrovertida, que adorava álcool - sobretudo vodka -, cigarros e fotos ousadas no Facebook a tomar banhos de espuma ou deitada no sofá a fazer tatuagens de henna. Até há bem pouco tempo não usava véu, chegou a fumar charros e era conhecida como a 'cowgirl', por usar geralmente botas e um chapéu.

Mas tudo mudou no espaço de um mês. O irmão conta que Hasna estava diferente, mais distante e fria. "Pedi-lhe para parar com esse comportamento, mas ela não me ouviu".
Youssouf Aitboulahcen disse que a irmã lhe devolveu uma chamada telefónica no domingo, dois dias depois dos ataques, e parecia que tinha desistido da vida. "Finalmente na quarta-feira de manhã liguei a televisão e fiquei a saber que ela tinha morrido, sacrificando a vida que o Senhor tinha dado".

Apesar de se ter tornado recentemente uma muçulmana fundamentalista, Hasna já tinha dado sinais de aprovar o terrorismo em nome da religião. "Ela ia adorar saber que estava agora no meio de tantos VIPS (na comunicação social). Ela aplaudiu os ataques do 11 de setembro na televisão", afirmou este domingo ao "Le Monde", uma amiga de Hasna que preferiu não ser identificada.

Durante o assalto policial, na quarta-feira, morreram no apartamento em Saint-Denis três presumíveis terroristas: Hasna Aitboulahcen, Abdelhamid Abaaoud e um terceiro indivíduo ainda não identificado.