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Republicano diz que EUA não devem aceitar sequer órfãos sírios de 5 anos. ‘Mayor’ de Nova Iorque responde com foto de Aylan Kurdi

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Andrew Burton / Getty Images

É o último episódio de um debate sobre refugiados nos Estados Unidos, onde o tom é cada vez mais desagradável

Luís M. Faria

Jornalista

A discussão sobre os refugiados continua ao rubro nos Estados Unidos, com os vários candidatos presidenciais republicanos a concorrerem entre si para ver quem consegue ser mais categórico a dizer que jamais aceitarão receber um único sírio.

Com vários governadores e presidentes de câmara (incluindo alguns democratas) a juntar-se ao coro das rejeições, um dos candidatos resolveu dizer que nem sequer as crianças órfãs devem ser recebidas. Mesmo que tenham cinco anos ou menos.

O autor dessa afirmação foi Chris Christie, atual governador do estado de New Jersey. E teve uma resposta igualmente dramática por parte do ‘mayor’ de Nova Iorque, Bill Blasio. Num evento público realizado esta quarrta-feira, Blasio exibiu uma foto do pequeno Aylan Kurdi, o bebé de três anos cujo cadáver deitado numa praia da Turquia comoveu o mundo inteiro.

“É este o custo de não acolher pessoas que são vítimas inocentes de uma crise humanitária. É isto que ele quer ver acontecer a crianças?”, perguntou Blasio, referindo-se a Christie. “Não aceitamos isso aqui na cidade de Nova Iorque”.

Além de rejeitar quaisquer refugiados, Christie tem culpado Barack Obama pela situação na Síria, chamando-lhe “uma anedota” e dizendo que o Presidente norte-americano “vive numa terra de fantasia”. Obama, empenhado em receber cerca de 10 mil refugiados nos EUA, responde garantindo que o processo de seleção é fiável e acusando o governador de ter “medo de viúvas e orfãos”.

Entretanto, os índices públicos de aprovação de Chris Christie mantêm-se extremamente baixos, quer em relação à sua performance em New Jersey, quer na corrida presidencial, onde os favoritos nas primárias republicanas continuam a ser o empresário Donald Trump e o neurocirurgião Ben Carson, os quais defendem posições tidas como extremas e irrealistas numa série de questões internacionais.

Luís M. Faria