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Para não esquecer, para tentar perceber: diário de um mundo em alerta

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Não aconteceu pela primeira vez, mas de cada vez que o mundo se vira de pantanas por causa de atentados terroristas como os de Paris, a soma das mortes e a subida do termómetro do medo têm um efeito de contágio. Desta vez a escala do fenómeno alargou-se. Basta recordar a sequência dos acontecimentos diários internacionais desde a fatídica sexta-feira 13. Este é um diário em permanente atualização, dos factos mais recentes até à noite trágica - para não esquecer, para tentar perceber

O mundo em alerta: sábado, dia 21

JOHN THYS/AFP/Getty Images

. Na Turquia, a polícia deteve três suspeito de terrorismo, um deles um homem belga de origem marroquina que terá escolhido os alvos dos ataques em Paris

. A Bélgica em alerta máximo de terrorismo, por “perigo iminente” de um ataque como o de Paris, com base em “informações precisas”. Em Bruxelas o dispositivo de segurança foi reforçado, soldados patrulham as ruas e centros comerciais, parques de estacionamento, paragens de metro e outros transportes públicos foram encerrados. Os residentes devem evitar ajuntamentos de pessoas, aeroportos, zonas comerciais

. No Mali, continua a caça a três suspeitos de estarem envolvidos no ataque do Mali, reivindicado pelos grupos terroristas Al-Qaida no Magrebe Islâmico e Al Murabitun

. Em França, a polícia libertou sete dos oito suspeitos que tinha detido na operação policial de Saint Denis. Um dos detidos é suspeito de ter emprestado o apartamento a Abaaoud, o mentor dos atentados

Depois de Paris, tragédia no Mali: Sexta-feira, dia 20

HABIBOU KOUYATE/GETTY IMAGES

. Um grupo armado faz cerca de 170 reféns num hotel em Bamako, capital do Mali. Há relatos de que os atacantes gritaram “Allahu Akbar” (Alá é grande). O sequestro termina com 27 mortos. Os jiadistas voltam a atacar?

. Afinal, uma terceira pessoa morreu durante a operação em Saint-Denis. Nos destroços do apartamento onde morreu o alegado "cérebro" dos atentados de Paris, Abdelhamid Abaaoud, foi recolhido um corpo, cuja identidade não foi confirmada

. Hasna Aitboulahcen, a prima do presumível autor moral de 13 de novembro, não se fez explodir durante o assalto a um edifício em Saint-Denis, informou fonte da Polícia Francesa, citada pela AFP. Durante a longa operação policial na madrugada e manhã de quarta-feira em Saint-Denis, os investigadores pensaram que a pessoa que deflagrou intencionalmente explosivos era uma mulher, mas, afinal, perceberam agora que se tratava de um homem

. Dois dos bombistas que se fizeram explodir no Estádio de França, há uma semana, passaram pela Grécia a 3 de outubro. Segundo o procurador de Paris, os homens entraram legalmente e foram registadas as suas impressões digitais

. A polícia sueca anuncia a detenção de um suspeito de planear um “ataque terrorista”. Iraqi Mutar Muthanna Majid foi levado pelos agentes durante uma rusga num centro para requerentes de asilo, em Boliden

. Outro país reforça as suas medidas de segurança. A Malásia diz temer um atentado, uma vez que recebe vários líderes políticos no âmbito da cimeira da Associação das Nações do Sudeste Asiático

. O Conselho de Segurança da ONU adotou uma resolução que autoriza todos os países com capacidade a utilizarem “todas as medidas necessárias” para atuar contra o Daesh na Síria e no Iraque. O texto, aprovada por unanimidade, propõe “aumentar e coordenar” a luta antiterrorista e manifesta a intenção de reforçar as sanções contra cidadãos e entidades relacionados com o grupo extremista

A morte e a emergência: quinta-feira, dia 19

FRANCOIS GUILLOT/GETTY IMAGES

. É confirmada a morte de Abdelhamid Abaaoud, considerado o mentor dos atentados de Paris. Desde há muito na mira das autoridades, tinha vários antecedentes criminais e desde 2013 era seguido pela polícia, devido à sua forte atividade jiadista nas redes sociais. As autoridades acreditam que esteve envolvido em vários ataques frustrados. Com paradeiro desconhecido, Abaaoud tinha sido condenado à revelia, a 20 anos de prisão, num julgamento na Bélgica, por recrutar jovens belgas para a Síria. Um dos atacantes suicidas de Paris era seu irmão

. O primeiro-ministro francês, Manuel Valls, alerta para o risco de futuros ataques “com armas químicas e bacteriológicas”

. Consequência dos ataques, França quer mudanças no espaço Schengen e anuncia que vai propor o controlo dos passaportes de todos os europeus que regressem ou partam para um país fora da União Europeia. É também anunciado que os agentes policiais franceses vão poder transportar as suas armas mesmo fora de serviço e é aprovado o prolongamento do estado de emergência por mais três meses

. Um jovem suspeito é detido na região da Alta-Sabóia, nos Alpes franceses, após ter sido encontrada uma bandeira do autoproclamado Estado Islâmico na sua casa, onde foram também descobertos outros documentos suspeitos

. A estação de metropolitano de Baker Street, em Londres, é evacuada depois de ter sido detetado um "veículo suspeito"

. De madrugada, há registo de um novo falso alarme de bomba, desta vez num avião que viajava da Polónia para o Egito. O aparelho foi desviado para a Bulgária depois de um passageiro ter dito à tripulação que transportava um explosivo, confessando mais tarde tratar-se de uma brincadeira de mau gosto

. Em Bruxelas são lançadas seis novas operações de busca relacionadas com o bombista suicida Bilal Hadfi, um dos três terroristas que se terá feito explodir junto ao Stade de France. Nove pessoas são detidas

Cerco e assalto: quarta-feira, dia 18

Marc Piasecki/Getty Images

. França continua no centro das atenções. De madrugada, a polícia monta uma operação em Saint Denis, bairro na periferia de Paris, cercando um apartamento onde tinham a informação de estarem três suspeitos, incluindo o muito procurado Abdelhamid Abaaoud - tido como o autor moral dos atentados. O assalto demorou mais de sete horas e envolveu 110 agentes, terminando com a morte de dois terroristas (um deles, uma mulher que as autoridades julgam ser prima de Abaaoud, fez explodir o colete suicida que vestia), oito detenções e cinco polícias feridos. Na operação foram usadas cinco mil balas e morreu também Diesel, uma cadela treinada para detetar explosivos

. O terminal 3 do aeroporto de Copenhaga é evacuado de urgência durante a manhã, depois de uma mala suspeita ter sido encontrada.

. Depois da Bélgica e de França, a insegurança provocada pelos ataques em Paris levou Itália, Suécia e Dinamarca a elevarem os níveis de alerta terrorista. Os serviços de segurança do Estado do Vaticano reconhecem também estar “mais vigilantes”

. Roma é considerada o alvo mais provável dos jiadistas, em parte devido à presença do Papa Francisco, avisou o ministro italiano do Interior, Angelino Alfano, pelo que as forças armadas reforçaram a cidade com 700 soldados extra. É anunciada a colocação de patrulhas em praticamente todas as estações de metro e outros locais públicos até à periferia, além de o ministro referir a instalação de um sistema de interceção de drones

Rusgas, ameaças, detenções: terça-feira, dia 17

KENZO TRIBOUILLARD/GETTY IMAGES

. A polícia francesa encontra um carro com matrícula belga, um Renault Clio preto, estacionado no 18° distrito, e que pode ter transportado os terroristas. Fala também na existência de um nono suspeito

. Depois de investigados dois apartamentos suspeitos, as autoridades descobrem também que um dos suspeitos de ter organizado e participado nos ataques, Salah Abdeslam, alugou dois quartos num hotel de Alfortville (Val-de-Marne). Entre outras coisas, são encontradas seringas que podem ter sido usadas pelos terroristas para se injetarem com Captagon, uma droga que é uma mistura de anfetaminas e cafeína e que, quando consumida em conjunto com outras substâncias, inibe a dor e a sensação de medo

. O ministro francês do Interior, Bernard Cazeneuve, anuncia mais 128 rusgas e confirma a detenção de 10 pessoas

. Em Bruxelas, o ministro francês da Defesa apresentou um pedido formal de ajuda militar, invocando o artigo 42.7 sobre mútua ajuda do Tratado Europeu, que prevê solidariedade em caso de agressão contra um país da União Europeia

. Em Aachen, a polícia alemã faz três detenções. A cidade fica a cerca de duas horas de carro da Bélgica. Até ao final do dia, mais quatro pessoas são detidas

. David Cameron anuncia que vai contratar mais 1900 elementos para os serviços secretos britânicos, enquanto Vladimir Putin se compromete a dar mais apoio aéreo à oposição síria

. Dois aviões da Air France que tinham descolado dos EUA com destino a Paris são à noite obrigados a aterrar de emergência, após receberem ameaças de bomba pelo telefone

. O jogo amigável entre as seleções da Alemanha e da Holanda, em Hanover, é cancelado também por ameaça de bomba. Um segundo estádio na mesma cidade, onde estava anunciado um concerto, é evacuado pelo mesmo motivo

. Num outro jogo, em Wembley, num particular entre a Inglaterra e a França, 80 mil adeptos cantam “A Marselhesa”, prestando homenagem às vitimas dos ataques em Paris

Contraterrorismo: segunda-feira, dia 16

DIRK WAEM/GETTY IMAGES

. São realizadas 168 buscas, com 23 detidos e várias armas apreendidas, não só em Paris mas também em Toulouse (local onde residia um dos autores dos ataques, Mohamed Merah), Estrasburgo, Marselha, Lyon, Lille e Grenoble

. A “caça aos homens” estende-se a Bruxelas, onde na zona de Molenbeek uma operação é desencadeada para encontrar Salah Abdeslam (um dos suspeitos em fuga), sem sucesso. Um homem é detido

. Num vídeo difundido a partir da região iraquiana de Kirkuk, o Estado Islâmico ameaça realizar mais atentados, semelhantes aos de Paris, noutros países que fazem parte da coligação internacional liderada pelos Estados Unidos e que tem bombardeado alvos do grupo na Síria e no Iraque

. A Universidade de Harvard, em Boston, e várias escolas da zona recebem ameaças de bomba

Somos todos Paris: domingo, dia 15

DOMINIQUE FAGET/ GETTY IMAGES

. Com os monumentos fechados e os habitantes e turistas ainda em estado de choque, multiplicam-se em Paris as manifestações de homenagem às vítimas. Nos locais dos massacres são depositadas flores, mensagens, velas. O aparato policial é visível nas ruas e um pouco por todo o mundo repetem-se as declarações oficiais de pesar

. Um avião da Ryanair que partiu de Ponta Delgada com destino a Lisboa é alvo de uma ameaça de bomba, que se veio a revelar falsa

Estado de emergência: sábado, dia 14

KENZO TRIBOUILLARD/GETTY IMAGES

. Aos primeiros minutos de sábado, François Hollande classifica os ataques como “ato de guerra” e anuncia a instauração do estado de emergência

. Pouco antes das 00h30, é desencadeada a intervenção da polícia na casa de espetáculos Bataclan, onde pelo menos 82 pessoas morreram. Na operação morrem ainda quatro atacantes, incluindo três que se fazem explodir

. Em comunicado, o autoproclamado Estado Islâmico (Daesh) assume a responsabilidade pelos atentados de Paris, “capital da abominação e da perversão”. O texto faz referência a um outro ataque, no 18º bairro (não aconteceu), e fala na participação de oito bombistas

. Escolas e universidades estão fechadas. Todas os passeios escolares são cancelados durante o fim de semana. A polícia proíbe também manifestações em vias públicas, na cidade e em toda a região de Paris, até quinta-feira

. No aeroporto de Gatwick é detido um homem armado. Segundo as autoridades de Sussex, Reino Unido, um francês de 41 anos foi detido pela polícia britânica depois de ter abandonado um pacote suspeito. Não é confirmada qualquer relação com os acontecimentos de Paris

. Um Airbus A321 é evacuado ao início da tarde para ser revistado no aeroporto de Schipol, em Amesterdão, depois de o voo ter recebido “ameaças” terroristas

. No Reino Unido, na Alemanha, em Espanha e Itália foram convocadas reuniões de emergência dos respetivos governos, reforçada a segurança nas fronteiras e nos aeroportos e estações de comboio. Em todos estes países a segurança foi ainda reforçada nas embaixadas, consulados e nas instalações do Liceu Francês

. O presidente norte-americano convoca uma reunião do Conselho de Segurança nacional para discutir as informações disponíveis sobre o que aconteceu em Paris

. Em Amesterdão, Holanda, um avião que tinha como destino território francês é evacuado após ameaças publicadas no Twitter contra este voo

Estado de choque: sexta-feira, dia 13

DOMINIQUE FAGET/GETTY IMAGES

. Entre as 21h e as 21h15, ouvem-se três explosões junto ao Stade de France, norte de Paris, durante um jogo de futebol entre as seleções da França e Alemanha assistido por 80.000 espectadores - incluindo o presidente François Hollande. Morre uma pessoa (um taxista, a primeira das duas vítimas portuguesas), assim como três terroristas suicidas

. Poucos minutos depois há tiroteio nas ruas Bichat e Alibert. No restaurante Le Petit Camboja morrem 14 pessoas.

. Num novo ataque, na rua de Charonne, no bar La Belle Equipe, morrem 18 pessoas

. Cinco pessoas são mortas e oito ficam gravemente feridas ao serem atingidas em frente ao Café Bonne Biere e à pizaria La Casa Nostra, na rua de la Fontaine au Roi. Posteriormente, foi divulgado um vídeo com o ataque à pizaria

. Um ataque faz um morto no boulevard Voltaire, do outro lado da praça da República. O homem-bomba morre

. Ainda antes das 22h surgem as primeiras mensagens de “muito tiros no Bataclan”, onde decorria um concerto dos Eagles of Death Metal. Vários homens armados com os rostos descobertos abrem fogo indiscriminadamente. De acordo com testemunhas, gritam “Alá Akbar”

. O presidente Barack Obama condena os ataques: “Estamos juntos na luta contra o terrorismo. Liberdade, igualdade, fraternidade são valores que partilhamos”

. De manhã, antes dos atentados, há notícias de duas ameaças de bomba em Paris, e aparentemente sem nenhuma relação entre si: na gare de Lyon e no hotel onde estava instalada a selecção alemã