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Oitenta e quatro reféns libertados e três mortos em ataque a hotel no Mali

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REUTERS TV

Televisões locais noticiam que 84 reféns já foram libertados pelos assaltantes num hotel de luxo na capital Bamako. Dez indivíduos invadiram o local esta sexta-feira de manhã e começaram a disparar tiros

Mais de 80 reféns já foram libertados do hotel Radisson, no centro da capital do Mali, onde um grupo de dez assaltantes invadiu esta manhã o local e começou a disparar tiros.

Entre os 84 reféns libertados encontram-se duas mulheres e três funcionários das Nações Unidas, além de quatro chineses (ONU). O hotel emitiu, entretanto, um comunicando referindo que 138 pessoas são mantidas ainda como reféns: 125 hóspedes e 13 funcionários.

Pelo menos três pessoas morreram - dois cidadãos nacionais e um francês, segundo a ONU.

Fonte do Ministério dos Negócios Estrangeiros disse à agência
Lusa que desconhece a existência de vítimas portuguesas no Mali: “Não há registo de problemas com os [13] militares nacionais” presentes no país.

A AlJazeera avança que o grupo que está a levar a cabo o sequestro é o Ansar al-Din.

O ataque começou às 7h locais (a mesma hora em Lisboa). Os assaltantes chegaram em carros com matrícula diplomática munidos de Kalashnikov, explicou à CNN Olivier Saldago, porta-voz da missão da ONU no país.

Para além dos tiros de armas automáticas, as testemunahs ouviram também os assaltantes a gritar 'Allahu Akbar' (Alá é grande), o que leva a crer que são jiadistas. No entanto, nenhum grupo reivindicou ainda a autoria do ataque.

De acordo com a Reuters, um dos reféns libertados diz que ouviu os assaltantes a falar em inglês, desconhecendo as nacionalidades dos mesmos.

“Eu vi os assaltantes mataram os seguranças”, relatou à RFI uma testemunha que se encontrava no exterior próximo da entrada do hotel.

Libertados reféns que conhecessem o Corão

Os assaltantes anunciaram que colocariam em liberdade os reféns que soubessem recitar excertos do livro sagrado o Corão.

Neste momento, as forças especiais estão a realizar a segunda tentativa de assalto à unidade hoteleira. No exterior do edifício já se encontram soldados do exército francês, que estão a liderar a operação. Entretanto, a missão da ONU solicitou o envio de mais soldados para o país.

O Ministério dos Negócios Estrangeiros do Mali recomendou que os cidadãos não saiam de casa, alertando para a possibilidade de mais ataques no país. “A situação no Mali continua instável. As pessoas devem reservar alimentos e água para o caso de ocorrerem mais distúrbios”, refere o ministério em comunicado.

Inicialmente as informações apontavam para a existência de 170 reféns: 30 funcionários e 140 hóspedes, dos quais 20 eram indianos, sete chineses e seis turcos - funcionários da companhia aérea Turkish Airlines, além de vários franceses.

Mas, entreatanto, o grupo indicou que a unidade hoteleira - que conta com 190 quartos - registava uma taxa de ocupação de 90%, acolhendo por isso mais hóspedes.

O Rezidor Hotel Group, a cadeia que detém o hotel, garante que está a acompanhar de perto a situação, mantendo-se em “contacto com as autoridades”.

François Hollande disse estar em contacto com o seu homólogo do Mali Ibrahim Boubacar Keïta, tendo disponibilizado todo o “apoio necessário” ao país.

Hotel estava quase lotado

O ataque ocorre uma semana depois dos atentados em Paris e um dia depois do presidente francês ter elogiado a atuação das tropas francesas na antiga colónia francesa, dando como exemplo o combate que deve ser feito aos terroristas islâmicos.

“A França está a liderar esta guerra com as Forças Armadas, os nossos soldados e a sua coragem. Tem que ser uma guerra com os nosos aliados e parceiros disponibilizando todos os meios disponíveis, como fizémos no Mali e como vamos continuar no Iraque e na Síria”, declarou François Hollande.

Na segunda-feira, num discurso no Palácio de Versalhes perante as duas câmaras, Hollande reiterou que o país vai prosseguir a luta contra o terrorismo, intensificando os ataques na Síria, junto do quartel-general do autoproclamado Estado Islâmico (Daesh) e reforçando as medidas de segurança no país.

Desde 2012 que a zona norte do Mali é ocupada por combatentes islamitas, sendo terreno de uma operação militar liderada pela França.

(Em desenvolvimento)