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Vídeo de dois jiadistas portugueses lançado na véspera dos atentados em Paris

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É pura propaganda extremista. De cara descoberta, portugueses do Estado Islâmico fazem ameaças contra os infiéis, num vídeo divulgado dia 12

Uma das frases dá o mote para o resto do discurso: “Não te esqueças de que podes fugir mas não te podes esconder”. O autor das palavras é um dos jiadistas portugueses mais influentes na estrutura do autodenominado Estado Islâmico (Daesh), Abu issa Al andalus.

Ele surge a falar num vídeo de propaganda daquela organização terrorista ao lado de outro radical português, o seu irmão Abu Zacarias. As imagens foram divulgadas a 12 de novembro, um dia antes dos atentados em Paris.

O extremista, que não tem a perna direita por ter sido ferido em combate em agosto, segundo pôde apurar o Expresso, exulta sobre os feitos dos terroristas. “Este é um dia de celebração, de Eid, de matança. Devemos matar cabras mas aqui na Jihad fazemos as coisas de uma forma ligeiramente diferente”.

O vídeo foi gravado no dia de Eid al-Adha, a Grande Festa ou Festa do Sacrifício, que é um dia de festa para os muçulmanos, que se segue à realização da peregrinação a Meca.

Na mão, o soldado radical diz que tem uma arma que pertencia a um dos melhores homens das forças especiais dos kaffir (infiéis). “Matamos uma cabra sim, mas também um kaffir”, diz em língua inglesa.

O jiadista português enumera os feitos bélicos dos homens de Abu Bakr Al Baghdadi, como aliás acontece em todos os vídeos de propaganda dos terroristas. Salienta por exemplo que as tropas de Bashar al-Assad têm pouco treino e lhes deixam as armas russas sem oposição.

As imagens, a que o Expresso teve acesso, e que a revista “Sábado” também divulga, comprovam a importância do pequeno grupo de jiadistas portugueses e lusodescendentes no seio do Daesh. Desde abril de 2014, é pelo menos o terceiro vídeo que tem como principais protagonistas os radicais lusos.

Além destes dois portugueses, há pelo menos oito jiadistas suecos no vídeo divulgado pela Furat media - o braço russo da al Furqan (departamento de comunicação do Daesh).

As autoridades portuguesas estimam que haja neste momento cerca de dez jiadistas lusos a combater pelo Daesh, um número que tem diminuído depois de quatro baixas em combate desde o verão do ano passado.

Os dois irmãos, que cresceram em Massamá (Linha de Sintra) são considerados “influentes” no seio do Daesh. Tal como acontece com Nero Saraiva, que em Londres fez parte da mesma célula de Leyton, no norte da capital inglesa.

O trio viajou clandestinamente entre Londres, Lisboa, Istambul e Raqqa, algures nos anos de 2012 e 2013, e alistou-se ao Estado Islâmico. Juntaram-se a eles outros três portugueses: Sandro Monteiro, Sadjó Ture e Fábio Poças. Todos eles se radicalizaram no Reino Unido, para onde tinham emigrado com o objetivo inicial de estudar e arranjar um emprego.