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Primeiro-ministro francês alerta para ataques terroristas com armas químicas e biológicas

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ETIENNE LAURENT/EPA

“A imaginação macabra destes terroristas não tem limites”, diz Manuel Valls, alertando para o risco de serem utilizadas armas químicas por parte do Estado Islâmico

O primeiro-ministro francês avisa que o autoproclamado Estado Islâmico (Daesh) poderá recorrer ao uso de armas químicas e biológicas no futuro. Manuel Valls promete ainda o reforço das medidas de segurança durante o estado de emergência em França, que vigora.

“A imaginação macabra destes terroristas não tem limites. Armas, decapitações, bombas. Sabemos que há também um risco de serem utilizadas armas químicas e biológicas. Não excluímos isso”, afirmou Valls esta manhã na Assembleia Nacional, durante a apresentação do projeto-lei que prevê o prolongamento do estado de emergência por três meses.

Insistindo na ideia de guerra, o chefe do governo francês garante que o país irá reforçar as operações de buscas e detenções. “A França foi atacada. Os franceses estão em estado de choque. Todos esperam respostas fortes, rápidas e eficientes e é isso que faremos. Estamos em guerra, não uma guerra que a História tragicamente nos habituou. Esta é uma guerra cuja frente se move constantemente e está no centro do nosso dia a dia”, declarou o governante, citado pelo “Le Figaro”.

Cooperação com as autoridades belgas

Rejeitando as críticas que têm sido atribuídas às autoridades belgas, Manuel Valls contrapõe e diz que as forças de segurança do país vizinho têm trabalhado em estreita colaboração com as francesas, sublinhando que a operação levada a cabo esta quarta-feira em Saint-Denis, nos subúrbios de Paris, partiu de informações que chegaram da Bélgica.

Além do reforço de polícias e militares e do orçamento relativo ao contraterrorismo, o primeiro-ministro francês reiterou que haverá um maior controlo dos jiadistas regressados do Iraque e da Síria nas fronteiras. Segundo Valls, 966 franceses terão ido para esses países para reforçar o contingente jiadista, sendo que 142 morreram e 247 já regressaram. “Estes números mostram a dimensão da ameaça”, destacou.

Tal como Hollande já tinha afirmado, a França continua disposta a receber 30 mil refugiados. Além disso, o governo vai criar um centro destinado para jovens radicalizados que se arrependam.

Segundo o primeiro-ministro francês, o financiamento e o projeto educativo já estão delineados, faltando apenas escolher o local para o espaço, o que deverá acontecer até ao final do ano.

600 milhões de euros para a segurança

Entretanto, o ministro francês das Finanças Michel Sapin anunciou esta manhã que o aumento da despesa com a segurança rondará os 600 milhões de euros. O governante explicou ainda que Bruxelas entende a derrapagem do défice.

Depois do comissário europeu para os Assuntos Económicos, Pierre Moscovici, também o presidente da Comissão Europeia confirmou esta quarta-feira que a França não será penalizada por não cumprir a meta do défice, devido ao aumento da despesa com a segurança, na sequência dos ataques de sexta-feira em Paris.

“Estamos a enfrentar sérios atos terroristas. A França, assim como outros países, têm que ter ao seu dispor meios suplementares. Penso que isso não será tratado como despesas normais no Pacto de Estabilidade”, declarou Jean-Claude Juncker.

Até agora, a previsão do défice francês era de 3,3% em 2016, estimando-se que caísse para menos de 3% em 2017.