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Abdelhamid Abaaoud, o terrorista que se gabava de enganar as autoridades

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Aos 28 anos, Abdelhamid Abaaoud era considerado um dos terroristas belgas mais ativos do Estado Islâmico. Seguido pelas autoridades desde 2013 - devido à sua atividade nas redes sociais -, o presumível cérebro dos atentados em Paris vangloriava-se de ter fintado a polícia por diversas vezes em viagens entre a Bélgica e a Síria. A polícia francesa confirmou esta quinta-feira que Abaaoud morreu no raide de Saint-Denis, que decorreu quarta-feira

Há muito tempo que Abdelhamid Abaaoud estava na mira das autoridades. O presumível autor moral dos atentados da passada sexta-feira em Paris - cujo irmão foi um dos bombistas suicidas - tinha vários antecedentes criminais e desde 2013 era seguido pela polícia, devido à sua forte atividade jiadista nas redes sociais. Foi também nesse ano que se juntou às fileiras do autodenominado Estado Islâmico (Daesh) em Raqqa, na Síria.

Nascido em 1987 no bairro de Molenbeekem, em Bruxelas, Abdelhamid Abaaoud - também conhecido como Abu Omar Soussi, nome da região de Marrocos, ou Abu Omar al-Baljik - era descendente de marroquinos e teve uma infância semelhante à de muitos jovens belgas da classe média. Estudou no colégio Uccle, um dos mais conceituados na zona sul de Bruxelas, e depois foi trabalhar para o comércio com a família, que possui uma loja de vestuário.

“Tínhamos uma vida muito boa, uma vida fantástica, eu diria. Abdelhamid não era uma criança difícil e em adulto transformou-se num bom comerciante. Mas, de repente, fugiu para a Síria. Nunca recebi qualquer resposta”, afirmou Omar Abaaoud, pai do jovem, ao jornal “Dernière Heure”.

No ano passado, Abu Omar al-Baljiki conseguiu levar consigo o irmão Younes, de 13 anos, facto que a família diz que nunca lhe perdoa. O pai afirma ainda sentir-se “envergonhado” e “destruído” com os ataques arquitetados pelo filho. “Abdelhamid envergonhou a nossa família. As nossas vidas foram destruídas. Porque é que, em nome de Deus, ele mataria belgas inocentes? Nós devemos tudo a este país.”

Orgulhoso das atrocidades que cometia

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Aos 28 anos, Abdelhamid Abaaoud era considerado um dos terroristas belgas mais ativos do Daesh. Seguido pelas autoridades desde 2013 - quando se juntou às fileiras do grupo terrorista, o presumível cérebro dos atentados em Paris vangloriou-se na revista de propaganda do Daesh, “Dabiq”, de ter enganado a polícia por diversas vezes em viagens entre a Bélgica e a Síria.

Em fevereiro deu uma entrevista à “Dabiq” explicando como tinha conseguido escapar das autoridades numa viagem com mais dois jiadistas desde Raqqa até Bruxelas. “Conseguimos arranjar armas e um abrigo secreto, enquanto planeámos a continuidade das operações contra os cruzados. Tudo isto foi facilitado por Alá”, declarou Abaaoud.

Nessa altura, o esconderijo de Abaaoud chegou a ser alvo de uma rusga por parte das autoridades, tendo os seus dois companheiros morrido durante uma troca de tiros com a polícia. Mas Abaaoud conseguiu escapar, tendo depois chegado a ser mandado parar por elementos das autoridades, que não o reconheçaram, acabando por seguir viagem.

Gabava-se também dos atos terroristas perpetrados pelo Daesh. Num vídeo publicado em 2014, Abdelhamid Abaaoud surgia de boné e barba, dizendo estar satisfeito por cometer várias atrocidades contra aqueles que se opõem ao grupo terrorista islâmico. Nesse vídeo, era filmado ao volante de uma carrinha que transportava corpos mutilados.

Em agosto, quando Reda Hame - um jiadista francês - foi inquirido pelas autoridades após ter sido detido quando se preparava para regressar à Síria, o nome do Abdelhamid Abaaoud foi referido, segundo o “Le Figaro”. Seria Abaaoud quem dava as indicações para Reda Hame chegar a França através de Praga, de forma a fugir à polícia - teria dado a Reda Hame uma pen com software de criptografia e cerca de 2000 euros para levar a cabo um ataque. O objetivo era atingir um alvo “significativo” e “fácil”, como um espaço de um concerto, de forma a causar um “máximo de vítimas”.

Recrutava combatentes para a Síria

Youtube/REUTERS

As informações das autoridades indicam que Abaaoud esteve também envolvido em vários ataques frustrados, nomeadamente num TGV entre Amesterdão e Paris, a 21 de agosto, e numa igreja em Villejuif, a 19 de abril. Abaaoud estaria na Grécia a gerir as operações da célula islamita de Verviers, no leste da Bélgica. Há registos telefónicos entre o jovem e outros terroristas mortos numa operação antiterrorista no início do ano, após o atentado em Paris nas instalações do jornal satírico “Charlie Hebdo”.

Com paradeiro desconhecido, Abdelhamid Abaaoud foi condenado à revelia, no passado mês de julho, a 20 anos de prisão, num julgamento na Bélgica, por recrutar jovens belgas para a Síria.

As autoridades acreditam também que Abdelhamid Abaaoud mantinha contacto com Mehdi Nemmouche, o autor do ataque ao Museu Judaico em Bruxelas, ocorrido a 24 de maio de 2014.

Artigo atualizado às 12h37: acrescentada a confirmação da morte de Abaaoud