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Primeiro-ministro australiano defende que intervenção militar na Síria seria “contraproducente”

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Os dois governantes reuniram-se à margem da cimeira da APEC que está a decorrer em Manila, capital das Filipinas

Jonathan Ernst / Reuters

As declarações surgem na sequência de um encontro entre o governante australiano e o Presidente norte-americano. De acordo com Obama, a Austrália é a nação que contribui mais para o combate à ameaça terrorista, a seguir aos Estados Unidos

Depois de uma reunião que se prolongou pela madrugada dentro e que juntou o primeiro-ministro australiano, Malcolm Turnbull, e o Presidente norte-americano, Barack Obama, o líder do Governo da Austrália confirmou, na manhã desta quarta-feira, que considera o envio de tropas para território sírio uma ação “contraproducente”.

Turnbull afirmou que a conversa com Obama consistiu numa “vasta discussão da estratégia e uma longa análise da mesma”, citado pela rádio australiana Australian Broadcasting Corporation.

Segundo o governante australiano, o Presidente norte-americano estará concentrado em chegar a uma solução política para o conflito sírio e a ameaça terrorista que assola o Ocidente. Segundo Turnbull, “Obama acredita que a presença de exércitos estrangeiros no terreno seria contraproducente de momento, tendo em conta as lições que podemos tirar da História, especialmente da mais recente”.

O primeiro-ministro australiano frisou ainda que a resolução do conflito se afigura “extremamente complicada”, uma vez que, a longo prazo, a intenção é de “restaurar a estabilidade na Síria e permitir aos refugiados o regresso a casa”, objetivo que deverá ser atingido com recurso a uma “solução política”.

O encontro bilateral entre os dois governantes aconteceu em Manila, capital das Filipinas, onde está a decorrer a cimeira da APEC (sigla inglesa para Cooperação Económica Ásia-Pacífico), e visou discutir a intervenção dos países que fazem parte da coligação internacional que combate o autoproclamado Estado Islâmico (Daesh), liderada pelos Estados Unidos.

A Austrália, que faz parte dessa aliança internacional e é apontada por Obama como sendo a segunda nação que mais contribui para o combate ao Daesh, já bombardeou em várias ocasiões posições dos extremistas na Síria. O país também tem contribuído com o envio de militares com funções de formação e treino das forças iraquianas, que estão a combater no terreno as forças do Daesh.

Rússia e França prometem “intensificar” bombardeamentos

O encontro bilateral deu-se na sequência dos atentados que ocorreram em Paris na passada sexta-feira e mataram 129 pessoas em sete locais diferentes. Em resposta aos ataques, a França já bombardeou por duas vezes posições do Daesh na Síria, destruindo dois centros de recrutamento, dois centros de comando, um campo de treino para os jiadistas e depósitos de armas e munições.

A Rússia admitiu, nesta terça-feira, que a queda do avião que se despenhou na Península do Sinai, no Egito, terá sido provocada por um ataque terrorista perpetrado pelo Daesh, tendo também bombardeado posições dos extremistas e prometido uma “intensificação” destas respostas pela voz do Presidente, Vladimir Putin.